- Vera Jardim, presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, teme discriminação religiosa em Portugal, nomeadamente anti‑semitismo, Islamismo e contra imigrantes.
- Em entrevista à Lusa, por ocasião dos 25 anos da Lei da Liberdade Religiosa, afirma que o país está mais polarizado quanto a questões religiosas.
- Observa que, desde 2001, houve melhoria do diálogo inter-religioso, mas o mundo e o clima social mudaram, mantendo-se tensões.
- Aponta exemplos recentes, como a pichagem da sinagoga de Lisboa, que indicam discriminação e intimidação contra crentes.
- Defende que o combate ao uso da religião como arma política passa pela educação e pela promoção da tolerância, criticando a instrumentalização da religião por governos e partidos contra imigrantes, e destacando o papel da Igreja Católica em apoiar o princípio de respeito.
Vera Jardim, presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, afirma estar atento a casos de discriminação religiosa em Portugal. Em entrevista à Lusa, por ocasião dos 25 anos da Lei da Liberdade Religiosa, a cerimónia realiza-se na Presidência da República.
A dirigente recorda que, desde 2001, houve avanços no diálogo inter-religioso e na tolerância, mas admite que o país enfrenta um ambiente cada vez mais polarizado. O marco legal facilitou o entendimento entre comunidades.
Mesmo sem perseguição aberta, Vera Jardim aponta discriminação e atos que antes não existiam, como a pichagem de uma sinagoga em Lisboa, que denuncia como sinal de hostilidade contra o Estado de Israel e a liberdade religiosa dos crentes.
Alterações no clima social
Segundo a presidente, a sociedade portuguesa acompanha tendências globais de polarização, afetando também comunidades religiosas. Em Portugal, não haveria perseguição organizada, mas existem queixas de discriminação e episódios prejudiciais.
Discriminação face ao Islão também surge em várias queixas, incluindo insultos e tentativas de exclusão do espaço público, aponta Vera Jardim, que compara o fenómeno com dinâmicas obserVadas noutros países.
Combater a instrumentalização da religião
A responsável defende que o combate passa pela educação, não por proibições, para promover tolerância e respeito entre pessoas e comunidades. A linguagem política não deve usar a religião como arma contra imigrantes.
Vera Jardim critica ainda o uso da religião cristã por governos ou partidos para atacar minorias, especialmente imigrantes de outras crenças, e recorda que tal prática não encontra apoio nas lideranças religiosas.
A entrevista ressalta que as políticas europeias de contenção da imigração repercutem-se na vida de fiéis de várias religiões, com o Islão entre os mais visados, segundo a líder da comissão.
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