- Entre 2021 e 2025, a APAV apoiou 169 pessoas refugiadas vítimas de crime e violência, um aumento de 287,5% face ao primeiro ano do período.
- Em 2025 foram apoiadas 120 vítimas refugiadas, mais do que o triplo de 2021 (31), mantendo uma tendência de crescimento nos últimos anos.
- A soma dos cinco anos mostra predominância feminina (71%), origem europeia (78,7%) e, entre as nacionalidades, 117 eram ucranianas (69,2%).
- Violência doméstica é o principal tipo de crime registado, representando 284 dos 349 casos; seguem-se violência sexual (16), ofensas à integridade física (8) e outros crimes (21).
- Em mais da metade dos casos não houve queixa às autoridades (58,6%), com apenas 28,4% a formalizar participação; os agressors identificados eram maioritariamente homens (cerca de 68%).
A APAV revelou que apoiou 169 refugiadas e refugiados vítimas de crime entre 2021 e 2025, num aumento de 287,5% face ao início do período. A divulgação coincide com o Dia Mundial dos Refugiados, assinalado este sábado.
Entre 2021 e 2025, o total de vítimas apoiadas recuou e cresceu ao longo dos anos: 31 em 2021, 85 em 2022, 14 em 2023, 69 em 2024 e 120 em 2025. O aumento recente acompanha tendências de maior procura por proteção.
Perfil das vítimas e nacionalidades
No conjunto de cinco anos, 71% das pessoas apoiadas são mulheres, e 27% homens. A esmagadora maioria é de origem europeia (78,7%), seguida pela Ásia (12,4%), África (5,3%) e América (3,6%).
117 vítimas eram de nacionalidade ucraniana, o que representa 69,2% do total, refletindo o impacto direto da guerra na região.
A faixa etária predominante é entre 18 e 64 anos. Crianças, jovens até 17 anos e pessoas com 65 ou mais também foram apoiadas.
Crimes e agressões
A violência doméstica é o crime mais associado aos pedidos de ajuda: 284 dos 349 registos. Seguem-se outros crimes/violências (21), violência sexual (16), agressões físicas (8) e ameaças/coação (7).
Os alegados agressores eram maioritariamente homens, correspondendo a 68% dos casos em que o sexo foi identificado.
Relativamente à relação vítima-agressor, madrastas/padrastos aparecem em 34,7% dos casos, seguidos de cônjuges (12,4%) e parceiros/as (4,1%).
Em mais de metade das situações, não houve queixa às autoridades. Apenas 28,4% das vítimas formalizaram participação, enquanto 58,6% não o fizeram.
A APAV destaca que, para além dos desafios de integração, muitas pessoas refugiadas continuam a enfrentar violência e crime, exigindo respostas de proteção especializadas.
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