- Joseph Ferrari estuda a procrastinação há quarenta anos e concluiu que cerca de 20% das pessoas são procrastinadoras crónicas.
- Não há relação com género, idade ou etnia: a procrastinação é semelhante em várias culturas e locais; a diferença surge entre quem trabalha em áreas manuais e quem trabalha em escritório.
- A tecnologia não é a principal culpada: as desculpas são muitas, mas a tecnologia pode facilitar tarefas e continuar a haver treino para evitar adiamentos.
- A ideia de que prazos curtos melhoram o desempenho não se verifica: estudos mostram que procrastinadores sob pressão tendem a ter pior desempenho, mesmo pensando que foram bem.
- Existem vias para combater o hábito: terapias cognitivo-comportamentais ajudam a mudar padrões; incentivar culturas que recompensem a pontualidade pode reduzir o adiamento.
Joseph Ferrari, professor de psicologia experimental, estuda a procrastinação há 40 anos. Ainda hoje afirma que a responsabilidade não recai sobre a tecnologia, mas sobre hábitos e emoções que levam a adiar tarefas. A sua estima aponta para 20% dos indivíduos como procrastinadores crónicos.
O investigador prefere não deixar de chamar a quem adia de forma habitual. Em várias culturas e faixas etárias analisadas, o padrão mantém-se quase igual, com diferenças relevantes apenas entre quem trabalha no escritório e quem desempenha funções manuais. Para os procrastinadores, o atraso é frequente, intencional e irracional.
Ferrari leciona na Universidade DePaul, nos Estados Unidos, e já publicou diversos livros sobre o tema, incluindo Still Procrastinating? em 2010. A bibliografia do académico reforça que o fenómeno afecta a qualidade de vida e pode interferir com relações profissionais e pessoais.
Estudo e perceções sobre o tema
A investigação de Ferrari revela que o comportamento não depende de género, idade, etnia ou localização geográfica. A única diferença observada relaciona-se com condições laborais: trabalhadores de escritório, ao contrário de profissionais manuais, recebem salário de forma periódica e o ambiente de trabalho favorece o adiamento quando a motivação é baixa.
Apesar das desculpas frequentes, o especialista sustenta que a tecnologia não é a culpada. Historicamente, a humanidade enfrentou distrações em qualquer época; a evolução tecnológica amplia as possibilidades, mas também as oportunidades de organização e foco.
Pressão de prazos e desempenho real
Quanto à ideia de que prazos iminentes elevam o rendimento, Ferrari aponta resultados contraditórios. Em duas experiências, procrastinadores mostraram pior desempenho com tempo limitado, apesar de acreditarem ter feito melhor do que os outros.
Para o académico, a ideia de que agir sob pressão é solução está desmentida pela evidência. A procrastinação surge como sabotagem e pode estar ligada a níveis baixos de autoconfiança, bem como a receios de falhar.
Abordagens para reduzir o hábito
Entre as estratégias sugeridas, Ferrari enfatiza que a mudança deve mirar padrões emocionais, não apenas gestão de tempo. A terapia cognitivo-comportamental é recomendada para ajustar comportamentos e metas, promovendo abordagens mais eficazes.
O professor também discute uma possível intervenção cultural. Segundo Ferrari, a punição do atraso não é suficiente: é preciso recompensar a pontualidade. Em contexto académico ou fiscal, incentivos que premiem a entrega antecipada podem moldar hábitos e reduzir o adiamento.
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