Representantes da comunidade portuguesa e antigos estudantes da Universidade de Coimbra residentes em Angola vão reunir-se no Namibe, a 14 de junho de 2026, para homenagear Luís Wittnich Carrisso. A cerimónia ocorre no deserto de Namibe, onde o cientista faleceu em 1937, durante a sua terceira expedição a Angola.
Carrisso foi um campeão da botânica portuguesa, professor catedrático e vice-reitor da Universidade de Coimbra. Natural da Figueira da Foz, dirigiu o Jardim Botânico e o Instituto Botânico Júlio Henriques, deixando uma marca profunda nas coleções científicas da universidade e na investigação nacional.
O legado de Carrisso em Angola
Durante as expedições ao território angolano, o investigador percorreu cerca de 30 mil quilómetros e recolheu um vasto património botânico. A sua morte ocorreu no deserto do Namibe, onde trabalhava com a sua equipa, vítima de síncope cardíaca aos 51 anos, sempre em missão de estudo.
A homenagem de 2026 é organizada por António Maló de Abreu, doutorando em biociências, e integra uma tradição de reconhecimento mantida por instituições de Coimbra. A iniciativa envolve ainda a Tuna Académica, o Orfeon Académico e a Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra em Angola.
No local onde ocorreu o adeus, junto ao obelisco, celebra-se a memória de Carrisso com palavras de silêncio e uma referência à planta Welwitschia mirabilis, símbolo da biodiversidade angolana associada ao trabalho do cientista. A cerimónia reforça o vínculo entre ciência, Angola e Portugal.
O trajecto de Carrisso evidencia uma vida dedicada à observação da natureza e à divulgação do conhecimento científico. A cerimónia de homenagem, agora 89 anos após a sua morte, mantém vivo o compromisso com a pesquisa e a educação que marcaram o seu percurso.
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