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Professores de português no estrangeiro contestam mudanças e temem desemprego

Professores de português no estrangeiro contestam alterações regulatórias, temem desemprego e queda de continuidade que pode comprometer redes e cooperação internacional

Está em em risco a "confiança institucional e política capitalizada durante décadas" junto de universidades e embaixadas estrangeiras, dizem leitores
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  • Professores de português no estrangeiro, leitores do Ensino Português no Estrangeiro (EPE), entregaram uma carta aberta coordenada pelo Instituto Camões, solicitando diálogo sobre mudanças no regime jurídico e no enquadramento remuneratório.
  • O grupo teme que reduzir períodos das comissões de serviço e limitar renovações, especialmente de forma retroativa, possa causar desemprego e fragilizar a presença de Portugal junto de universidades e embaixadas.
  • Alegam que a rede depende da continuidade e investimento de profissionais, já enfrentando falta de progressão na carreira e concursos temporários, o que, segundo eles, pode levar a desligamentos sem reconhecimento de anos de trabalho.
  • Reclamam ainda da degradação das condições materiais, com salários desajustados face ao custo de vida nos países de colocação e encargos adicionais sem compensação, incluindo funções administrativas e de gestão de Centros de Língua e Centros Culturais.
  • O Governo e outras entidades foram instadas a manter diálogo, com o ministro dos Negócios Estrangeiros a ouvir prometer condições adequadas e a Federação Nacional da Educação a pedir esclarecimentos sobre a proposta de alteração, que permanece sem parecer do Ministério das Finanças.

Os leitores do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) manifestam preocupação com propostas de alteração ao regime jurídico e ao enquadramento remuneratório. A carta aberta alerta para possíveis desemprego e para o impacto na projeção internacional de Portugal.

O colectivo de docentes, coordenado pelo Instituto Camões, contesta a redução de períodos das comissões de serviço e a limitação de renovações, especialmente se retroativas. Advoga estabilidade para a continuidade do ensino.

Em visita ao Luxemburgo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, garantiu que o Governo vai assegurar condições para quem quer continuar a ensinar português no estrangeiro, destacando a língua como elo de ligação com comunidades.

Contexto e impactos na carreira

Os docentes dizem que as mudanças previstas criariam uma instabilidade estrutural profunda numa rede que depende da continuidade e do investimento dos profissionais. Afirmam já enfrentar falta de carreira e progressão, com concursos temporários em vigor.

A conclusão de uma comissão de serviço sem possibilidade de renovação é apresentada como uma via de desemprego, sem reconhecimento do trabalho desenvolvido. A quebra de continuidade pode afetar relações com universidades e embaixadas.

Além disso, aponta-se para a degradação de condições materiais, com salários desajustados face ao custo de vida nos países de colocação. Acresce a sobrecarga administrativa, logística e gestão de centros de língua e cultura.

Os docentes também criticam a possível eliminação de subsídios de residência, defendendo que estes subsidiam encargos com saúde, habitação e educação dos filhos, mantendo a atratividade de postos estratégicos.

O grupo solicita um diálogo construtivo e está disponível para reunir com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a direção do Camões, grupos parlamentares e sindicatos, para encontrar soluções que protejam direitos e interesses de Portugal.

O Ministério das Finanças ainda não se pronunciou sobre a proposta que está a aguardar parecer, conforme registado pela Federação Nacional da Educação em maio. Em abril, o ministro Paulo Rangel anunciou uma reforma no ensino da língua no estrangeiro.

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