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Grupo Vita leva ao Vaticano preocupações sobre clareza nos processos de abuso

Grupo Vita leva ao Vaticano preocupações sobre arquivamento de casos de abuso sem fundamentação, pedindo maior clareza e prestação de contas às vítimas

Rute Agulhas, coordenadora do Grupo Vita, criado pela Conferência Episcopal Portuguesa em 2023
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  • O Grupo Vita levará ao Vaticano preocupações sobre denúncias de abuso sexual arquivadas sem fundamentação clara e a falta de prestação de contas às vítimas.
  • A reunião, marcada para 18 de junho em Roma, é com a Tutela Minorum, à margem da International Safeguarding Conference organizada por Hans Zollner.
  • Será entregue um dossiê com o trabalho desenvolvido em Portugal, as dificuldades identificadas e propostas para reforçar a resposta da Igreja aos abusos.
  • Entre os desafios apontados estão ritmos diferentes entre estruturas eclesiais, demora na resposta a situações e ausência de procedimentos nacionais uniformizados; decisões sem fundamentação dificultam explicar o arquivamento às vítimas.
  • O grupo destaca um balanço positivo dos últimos três anos, maior abertura das estruturas da Igreja para colaborar, e espera continuidade do mandato, participando também na conferência com um póster sobre a resposta portuguesa aos abusos.

O Grupo Vita vai apresentar ao Vaticano preocupações sobre a falta de fundamentação clara em processos de abuso sexual na Igreja Católica. A comunicação é feita também pelas consequências para as vítimas, que se sentem injustiçadas pela ausência de explicações.

Rute Agulhas, coordenadora do grupo criado pela Conferência Episcopal Portuguesa, confirmou o objetivo da visita. O encontro com a Tutela Minorum ocorre em Roma, este mês, à margem da International Safeguarding Conference.

A reunião visa apresentar o trabalho desenvolvido em Portugal, identificar dificuldades existentes e partilhar preocupações com decisões de arquivamento de denúncias. O foco é a comunicação às vítimas e o impacto dessas decisões.

Segundo o grupo, há casos em que denúncias ainda vivas deram origem a investigações canónicas, mas foram arquivadas sem fundamentação clara. Explicar o arquivamento às vítimas tem sido um desafio central.

A psicóloga envolvida descreve o efeito dessa opacidade como indignação e sensação de injustiça, o que complica o acompanhamento institucional realizado pelo Vita.

A ação não prevê a reabertura de processos já encerrados, mas pretende sensibilizar a Santa Sé para refletir sobre a transmissão de informações aos países e o dano às denunciantes.

A reunião está marcada para 18 de junho, em Roma, durante a conferência dedicada à proteção de menores e adultos vulneráveis, organizada por Hans Zollner.

A deslocação do Vita a Roma surgiu para participar no evento, com financiamento externo garantido, sem custos para a Conferência Episcopal Portuguesa.

Além da reunião, é entregue um dossiê que sintetiza o trabalho em Portugal, as dificuldades identificadas e propostas de melhoria na resposta aos abusos.

Entre os desafios, o Vita aponta ritmos diferentes de atuação entre estruturas eclesiais, dificuldades de articulação e a ausência de procedimentos nacionalmente uniformizados.

Apesar disso, o grupo vê um balanço positivo dos últimos três anos, com maior abertura de dioceses, congregações, escolas católicas e outras estruturas para colaborar na prevenção e resposta.

A responsável defende maior visibilidade e participação das comissões diocesanas de proteção de menores nos projetos em curso, fortalecendo o trabalho conjunto.

O Grupo Vita participa na conferência entre 16 e 19 de junho, apresentando no último dia um póster científico sobre a experiência portuguesa na resposta aos abusos.

No contexto, o futuro do grupo ainda depende de uma decisão da Conferência Episcopal sobre a renovação do mandato, embora exista expectativa de continuidade.

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