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Falta de respostas aos idosos é descrita como tsunami já na praia

Presidente da União das Misericórdias Portuguesas alerta para envelhecimento sem planeamento e exige investimento urgente em lares e apoio domiciliário

Manuel Lemos preside à União das Misericórdias
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  • O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos, diz que Portugal enfrenta consequências de anos de falta de planeamento para o envelhecimento da população, defendendo investimento urgente em lares e apoio domiciliário.
  • Em entrevista à Lusa, aponta um aumento da pressão sobre hospitais, lares e famílias, devido à ausência de respostas adequadas ao nível da proteção social e da saúde.
  • Lemos afirma que houve tempo perdido em décadas anteriores e que é preciso o Estado tratar o envelhecimento como prioridade estratégica, com mais lares, rede de cuidados continuados e transformação do apoio domiciliário.
  • Aponta ainda para a proliferação de lares ilegais pela falta de respostas públicas adequadas e defende modelos diferenciados para várias realidades, incluindo residências colaborativas para idosos autónomos.
  • O dirigente critica o subfinanciamento das respostas sociais e cuidados continuados, pedindo ao Ministério das Finanças reconhecimento dos custos efetivos e formação de mais profissionais de enfermagem.

O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) aponta que Portugal enfrenta um tsunami demográfico, consequência de anos sem planeamento adequado para o envelhecimento da população. Em Braga, onde decorre o congresso nacional das misericórdias, o responsável defende investimento urgente em lares e apoio domiciliário para evitar uma debacle social.

Lemos afirma que a pressão sobre hospitais, lares e famílias era previsível e resulta da falta de respostas robustas nos sectores da proteção social e da saúde. O responsável lembra três fases políticas recentes que, na perspetiva dele, atrasaram o planeamento: crise financeira, instabilidade governamental e a covid-19.

A crítica central relaciona-se com o subfinanciamento das respostas sociais e dos cuidados continuados. Segundo o presidente, os montantes atribuídos pelo Estado não refletem os custos reais das instituições, o que compromete obras e concursos públicos, levando a desertar propostas por insuficiência de recursos.

Outra faceta abordada envolve a necessidade de reforçar o parque residencial e a rede de cuidados continuados. O objetivo é criar lares adequados às diferentes realidades dos utentes, incluindo pessoas com demência, sem retaguarda familiar ou após alta hospitalar, bem como explorar modelos de residências colaborativas para idosos autónomos.

Sobre recursos humanos, Lemos alerta para a escassez de profissionais, especialmente enfermeiros. A solução não passa pela competição entre misericórdias, mas pela formação de mais profissionais na área. O objetivo é evitar que a saída de membros para outra instituição amplifique o défice, mantendo condições dignas para trabalhadores.

O dirigente ressalta que, apesar de avanços recentes do Governo no financiamento social, o problema persiste sem um planeamento articulado entre áreas governativas. A chamada é para uma coordenação entre entidades públicas, planeando toda a cadeia de cuidados de forma integrada.

O papel das Misericórdias é destacado como determinante para a resposta social em Portugal, com atuação abrangente em todo o território e capacidade de adaptação a necessidades emergentes. O posicionamento enfatiza que a ausência dessas instituições agravaria a situação da população idosa.

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