- A Federação de Resistência Feminista Anti-Guerra (FAS) lançou o relatório de 2026 sobre os direitos das mulheres em condições de repressão e militarização, com algumas coordenadoras alvo de coimas e investigações por serem classificadas como “agentes estrangeiros”; há refugiadas políticas em situação de insegurança.
- O relatório descreve crescentes restrições ao direito ao aborto, perseguição judicial de mulheres que fizeram abortos, além de incentivos financeiros ligados a gravidezes, o que tem impactos em menores e adolescentes através de questionários de pressão.
- A escola tornou-se um espaço de militarização: currículo mais orientado para a Rússia como potência, retirada de disciplinas de Estudos Sociais e maior ênfase em História e segurança; a Rússia saiu do Processo de Bolonha, dificultando a mobilidade académica.
- A situação económica e social agrava-se para as mulheres, com muitas mães solteiras em situação vulnerável, dívidas de pensões de alimentos e nível elevado de violência; há críticas a políticas que favorecem a fertilização in vitro sem par permanente.
- Observa-se o surgimento de grupos informais de “polícia de costumes” e controlo migratório com apoio do Estado, ligados à Igreja e a posições de extrema-direita; há exemplos de detenções, demissões forçadas e repressão a minorias, contribuindo para uma atmosfera de medo e silêncio.
A FAS (Resistência Feminista Anti-Guerra) apresentou o relatório de 2026 sobre os direitos das mulheres sob repressão e militarização na Federação Russa e no estrangeiro. A organização, que funciona de forma horizontal, afirma não conseguir contabilizar todas as participantes nem quem está detido ou classificado como agente estrangeiro.
Adelaida, investigadora da FAS, explicou que a mobilização é aberta a qualquer pessoa que deseje colaborar, mesmo fora da Rússia. Em 2023, a FAS recebeu um prémio internacional e foi designada como organização indesejável. Muitas coordenadoras enfrentam coimas e investigações criminais, com refugiadas políticas que não renovam passaportes em risco.
Sobre o surgimento dos relatórios
Os relatórios nasceram para expor a repressão na Rússia, destinando-se a organismos internacionais. Tradicionalmente, os textos são oferecidos a organizações como a ONU e a APCE, com trabalhos conduzidos por ativistas dos direitos humanos, que também cuidam de ações locais e cibersegurança.
Perspetiva sobre a sociedade e o poder
A FAS afirma que o público estrangeiro muitas vezes não compreende a amplitude da repressão. O atraso em direitos reprodutivos é uma linha vermelha que tem vindo a intensificar-se, com campanhas para restringir abortos e pressionar mulheres sob diferentes justificações, incluindo o acesso a serviços de saúde.
Contexto sobre direitos reprodutivos
O relatório aponta que o governo tem promovido incentivos financeiros para grávidas manterem a gravidez, mesmo com restrições de acesso a informações sobre abortos seguros. Adelaida descreve que a medida pode abranger adolescentes, criando pressões para escolhas de reprodução.
Educação e militarização
A militarização educativa aumentou, com mudanças curriculares que reduzem temas de direitos humanos e elevam o foco histórico na potência estatal. A saída do Processo de Bolonha dificulta a mobilidade académica, impactando estudantes que desejam deixar o país.
Pressão sobre mulheres sem filhos
As autoridades têm investigado publicamente mulheres que não desejam ter filhos, com possíveis coimas por expressarem escolhas pessoais. Casos de pressão institucional sobre ativistas que discutem desafios da maternidade também são mencionados.
Impacto económico e social
A situação económica permanece difícil para as mães solteiras, com dívidas de pensões de alimentos e elevados índices de violência. A presidente de uma comissão parlamentar criticou a popularidade de estruturas familiares monoparentais, sugerindo a necessidade de reconhecer outras realidades familiares.
Ambiente de repressão e vigilância
O relatório descreve um aumento de denúncias e repressões motivadas politicamente, com denúnias dirigidas a mulheres que defendem direitos. Observa-se uma atmosfera de medo que, segundo a FAS, lembra modos de repressão de épocas anteriores.
Papel das mulheres na sociedade em guerra
Apesar das dificuldades, a solidariedade entre mulheres manteve-se estável, com redes de apoio que ajudam a sustentar ações de advocacy durante o conflito. Existem diferenças regionais na intensidade da perseguição e na forma de repressão.
Grupos informais e controlo social
O movimento aponta para uma maior influência de grupos de vigilância de costumes e controlo migratório, com o Estado a favorecer a cooperação com a Igreja e facções nacionalistas. Relatos de incidentes em estações e administrações locais evidenciam pressão sobre minorias.
Perspetiva futura
As autoras reconhecem que o futuro da democracia e dos direitos das mulheres depende do poder que estiver no controlo, com a esperança de revogação de leis repressivas e de um regresso a um funcionamento mais estável da sociedade, com participação efetiva.
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