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Difamação contra Boaventura de Sousa Santos arquivada após desistência

Ministério Público arquiva inquérito por difamação contra Boaventura de Sousa Santos após desistência de três queixosas, sem justificação de acusação concluída

Boaventura de Sousa Santos
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  • O Ministério Público arquivou o inquérito por crimes de difamação contra o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, após as três queixosas desistirem do procedimento antes de serem admitidas como assistentes no processo.
  • O despacho, assinado no dia 23 de março de 2026, indica que as desistências foram consideradas válidas e relevantes e levaram ao arquivamento, pois o inquérito tinha natureza semipública.
  • Boaventura de Sousa Santos afirmou que a desistência ocorreu depois de ter apresentado no processo um vídeo da investigadora Maria Paula Meneses, que faleceu.
  • A advogada das queixosas explicou que a desistência aconteceu também por terem desistido após o arquivamento de uma outra queixa apresentada pelo professor contra as suas constituintes, além do desgaste prolongado do processo.
  • Mantém-se em investigação uma parte relacionada com o relatório da Comissão Independente de Esclarecimento de Situações de Assédio no Centro de Estudos Sociais do CES, apresentado em março de 2024, referente a acusações de abuso de poder e assédio.

O Ministério Público arquivou o inquérito por alegados crimes de difamação movido contra o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, depois de as três queixosas desistirem do procedimento antes de serem admitidas como assistentes no processo.

O despacho, assinado a 23 de março de 2026, indica que as desistências foram consideradas tempestivas e que o inquérito não chegou a constituir arguido o alvo. As queixosas tinham aceitado apresentar queixa por difamação.

À Lusa, Boaventura de Sousa Santos disse que a desistência ocorreu depois de ter apresentado no processo um vídeo da investigadora Maria Paula Meneses, que já faleceu. Acrescentou que a denúncia dizia respeito apenas à difamação, não a outros factos.

Contexto e desdobramentos

A advogada das três denunciantes explicou que a desistência resultou do arquivamento de outra queixa apresentada pelo professor contra as suas constituintes. O objetivo das queixosas nunca foi ações judiciais contra o professor, afirmou.

A advogada destacou o desgaste provocado por um processo que decorreu durante anos e que levou as denunciantes a abandonar a lide. Mantém-se em investigação parte do relatório da Comissão Independente de Esclarecimento de Situações de Assédio no CES, apresentado em março de 2024, bem como uma carta de 13 mulheres a pedir urgência nas investigações.

O relatório de então confirmou padrões de conduta de abuso de poder e assédio no CES, envolvendo 14 investigadas por 32 denunciantes, num total de 78 denúncias. Três investigadoras do Centro de Estudos Sociais denunciaram situações de assédio, o que provocou a suspensão de Boaventura de Sousa Santos e de Bruno Sena Martins, em abril de 2023.

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