A população infantil em Portugal registou a segunda maior quebra na União Europeia nos últimos 50 anos. Entre 1975 e 2024, a proportion de crianças com menos de 10 anos caiu de 22% para 9,8%, marcando um transito de país com mais crianças para um entre os que têm menos. O dado resulta de um retrato divulgado pela Pordata, a propósito do Dia Mundial da Criança.
A análise baseia-se em estatísticas do INE, Eurostat e outras fontes. Em 1975, Portugal era o segundo na UE com maior share de menores de 10 anos. Atualmente ocupa o quarto lugar, com uma quebra de 12,1 pontos percentuais. Espanha teve uma descida de 12,4 p.p., terminando em 9,8% em 2025.
Desempenho europeu e posições
A lista de países com menor proporção de crianças é liderada pela Itália, com 9,1%. Desde 2018, Itália tem sido o país com a menor participação de menores de 10 anos na UE. Em sentido oposto, Irlanda, Suécia e França apresentam as maiores percentagens entre 14,2%, 13,2% e 12,8%, respetivamente.
Dados por município
Entre 308 municípios, Ribeira Grande, nos Açores, regista a maior proporção de crianças com menos de 10 anos (11,1%). Almeida é o município mais envelhecido, com apenas 3,6% de crianças. Aljezur, Lisboa, Montijo e Vila Velha de Ródão foram os únicos onde a participação de menores aumentou.
Em Portugal, 793 mil agregados familiares têm pelo menos uma criança menor de 12 anos, correspondendo a 17% do total. Desses, 69% são casais, 20% vivem em famílias com mais de dois adultos, e 10% são famílias monoparentais. Este último grupo está associado a maior risco de pobreza.
Pobreza infantil e tendências
Em 2025, 157 mil crianças até aos 12 anos viviam em famílias em risco de pobreza. Na última década houve uma redução de 103 mil crianças nessa condição desde 2015. Na UE, 9,4 milhões de crianças enfrentavam pobreza em 2025, menos 1,5 milhões desde 2015.
Contexto educativo e social
A Pordata sublinha que o nível de escolaridade dos pais está fortemente ligado ao risco de pobreza ou exclusão social das crianças. A diferença entre os níveis mais baixos e mais altos de escolaridade ultrapassa 20 pontos percentuais. A Hungria apresenta a maior disparidade (acima de 77 p.p.), enquanto Portugal tem uma diferença de 37,5 p.p., a segunda maior entre os 27 membros.
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