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Pobreza diminui, mas mulheres voltam a perder dinheiro em 2024

Pobreza em queda, mas desigualdade de género agrava-se em 2024: mulheres ganham oito cêntimos por cada euro dos homens, mesmo com ensino superior

Mulheres com ensino superior estão a perder rendimentos desde 2022, e em dois anos trouxeram para casa menos 11 cêntimos por cada euro auferido pelo homens
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  • A pobreza diminuiu de 17% para 15,4% em dois anos, mas a desigualdade salarial aumenta, com as mulheres a perder oito cêntimos de rendimento por cada euro recebido pelos homens em 2024.
  • Entre quem tem ensino básico, as mulheres recebem 57 cêntimos por euro; entre quem tem ensino superior, 72 cêntimos por euro em 2024 (de 83 cêntimos em 2022 e 80 cêntimos em 2023).
  • Em 2024 havia cerca de 301 mil crianças pobres e 541 mil pessoas com mais de 65 anos em situação de pobreza.
  • Os 10% mais ricos continuam a deter quase oito vezes o rendimento dos 10% mais pobres; os 25% mais ricos detêm 46,5% do rendimento nacional.
  • O estudo aponta persistência de fortes desigualdades sociais, regionais, salariais e habitacionais, com pobreza mais elevada entre desempregados, famílias monoparentais e pessoas com menor escolaridade; quase 30% das crianças pobres vivem em privação material e social.

O retrato financeiro de Portugal em 2024 aponta, ao mesmo tempo, para menos pobreza e maior desigualdade entre os sexos. O relatório Portugal, Balanço Social traz dados que mostram uma redução global da pobreza, mas uma piora da retribuição entre homens e mulheres.

Segundo o estudo, as mulheres passaram a receber, em média, oito cêntimos por euro de rendimento masculino. A diferença é especialmente marcada entre quem tem ensino básico, com 57 cêntimos por euro em comparação com os homens.

A formação educativa não resulta em melhoria para as mulheres. No ensino superior, a distância salarial entre géneros também aumenta: em 2024, as mulheres recebem 72 cêntimos por euro ganho por homens, depois de 83 cêntimos em 2022.

Em Portugal, a pobreza caiu de 17% para 15,4% nos dois últimos anos, aponta o relatório elaborado por investigadores da Nova SBE. Contudo, a desigualdade salarial persiste e é salientada como uma das principais preocupações.

A pobreza continua elevada entre desempregados, famílias monoparentais e indivíduos com menor escolaridade, ainda que alguns indicadores de poder de compra tenham melhorado, segundo a agência Lusa.

O documento descreve ainda um cenário de concentração de rendimento: os 10% mais ricos acumulam quase oito vezes mais do que os 10% mais pobres, e os 25% mais ricos detêm 46,5% do rendimento nacional.

No capítulo sobre privação infantil, os investigadores concluem que quase 30% das crianças pobres sofrem privação material e social, com impactos significativos na participação em atividades extracurriculares.

Entre as crianças afetadas, cerca de metade não participa em atividades de lazer com regularidade, e mais de um terço vive em habitações sobrelotadas, aponta o estudo.

Dados agregados indicam que, ainda que haja melhoria em alguns indicadores médios, grupos vulneráveis — sobretudo as mulheres, desempregados e famílias com baixos níveis de escolaridade — continuam a enfrentar dificuldades relevantes.

O estudo, de âmbito nacional, envolve investigadores da Nova SBE e consulta fontes oficiais para sustentar as conclusões sobre pobreza, rendimento, educação e privação infantil.

As conclusões destacam a necessidade de políticas públicas que combatam a disparidade de género, promovam formação acessível e reforcem redes de proteção social, sem adiantar medidas específicas.

Dados apresentados pelo relatório devem servir de base para debates sobre justiça económica e estratégias de redução da pobreza nos próximos anos.

Fonte: informações destacadas pela agência Lusa, com base no relatório Portugal, Balanço Social.

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