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Maternidade adiada, menos filhos e envelhecimento populacional em Portugal

Portugal enfrenta envelhecimento acelerado e baixa natalidade, comprometendo a substituição de gerações e exigindo respostas políticas públicas.

Uma família a olhar para o horizonte
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  • Em 2024, a taxa de fecundidade em Portugal fixava‑se em 1,41, abaixo dos 3,16 de 1960, sinalizando menos filhos por mulher.
  • Mais de 25% das mulheres não têm filhos nem virão a ter; cerca de um terço terá apenas um filho, e mais de metade ficará, no máximo, com um filho.
  • A imigração ajuda a compensar a baixa natalidade: nascimento em Portugal subiu 3,7% em 2025, com cerca de 35% das crianças de mães estrangeiras.
  • A idade média das mães no primeiro filho já ultrapassou os 30 anos, com Portugal entre os oito países da UE onde isso acontece mais cedo.
  • O envelhecimento da população é evidente, com previsão de quase um milhão de pessoas com mais de 75 anos em 2070, e saldo natural já é negativo desde 2009.

O Dia Internacional da Família mostra um retrato de Portugal marcado pelo envelhecimento e pela baixa natalidade. Em 2024, a taxa de fecundidade ficou em 1,41, abaixo de 1960 (3,16). A proporção de mulheres sem filhos aumentou para cerca de 25%.

Mais de metade das mulheres em idade fértil tende a ter no máximo um filho, com um terço a ter apenas um filho, aponta o estudo de Luísa Loura, diretora da Pordata. O fenómeno persiste apesar de uma ligeira recuperação recente.

A UE também está abaixo da taxa de substituição, numa tendência de queda observada desde 2008 a 2020. Maria João Valente Rosa, demógrafa, alerta que nenhum país da UE consegue manter a substituição geracional.

O que está por trás da transição para o segundo filho

Em Portugal, o desafio está na transição para o segundo filho. Muitos casais já têm o primeiro, mas a logística de educação e creches desencoraja elevar o nº de filhos. Apoio à primeira infância pode incentivar a parentalidade sem adiamentos excessivos.

O INE, através dos Censos 2021, indica que 25% dos agregados são sem filhos, enquanto 32% têm filhos. A mudança demográfica acompanha o aumento de agregados sem núcleo familiar.

A contribuição da imigração

Luísa Loura destaca que a imigração tem aumentado a taxa de fecundidade, pois populações migrantes costumam ter mais filhos. Dados do INE mostram que aproximadamente um terço dos nascimentos em 2025 foram de mães estrangeiras, representando cerca de 35% do total.

A europeidade aponta para uma maior dependência de migrações positivas para manter dinamismo demográfico. Contudo, não se consegue determinar a nacionalidade de todos os pais, apenas a origem das mães.

Idade média ao primeiro filho e custos

Em 2024, Portugal integrou o grupo de 10 Estados-membros com a idade média ao primeiro filho acima dos 30 anos. Consolidam-se motivos como habitação estável, educação dos filhos e custos de vida, que atrasam a parentalidade.

Os especialistas destacam que políticas de apoio ao mercado de trabalho e à conciliação entre carreira e família podem influenciar a decisão de ter filhos, não sendo apenas uma questão de dinheiro.

Igualdade de género e responsabilidades familiares

Loura sublinha que o mercado exige a participação feminina, promovendo independência. Ainda assim, o peso das responsabilidades familiares recai maioritariamente sobre as mulheres, o que leva ao adiamento da maternidade.

A ideia é promover partilha de responsabilidades e educação familiar desde a escola, para melhorar a perceção de equilíbrio entre papéis de homens e mulheres no quotidiano.

Envelhecimento e impactos sociais

O envelhecimento populacional é visto como um dado adquirido a médio prazo. Em 60, o País tinha menos idosos do que hoje, resultado de mortalidade infantil baixa e maior longevidade.

O saldo natural tem sido negativo desde 2009, com mais óbitos que nascimentos. Projecções indicam quase um milhão de pessoas com mais de 75 anos em 2070, exigindo respostas públicas para cuidados e finanças.

Possíveis caminhos

Especialistas sugerem aprender com modelos onde o Estado Social apoia idosos sem depender exclusivamente da família. Incentivos fiscais e poupança para efeitos de longo prazo são apontados como possíveis medidas, em complemento a políticas de apoio à natalidade e à fixação no emprego.

Para Maria João Valente Rosa, confiar apenas na descendência para a segurança na velhice é uma visão desatualizada; há necessidade de redes de apoio ampliadas e serviços sociais acessíveis.

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