- Milhares saíram às ruas no Dia do Trabalhador, em Lisboa e outras cidades, em defesa dos trabalhadores contra o pacote laboral proposto pelo Governo; António José Seguro disse que o trabalho tem de compensar e que a resignação não é solução.
- O presidente da República, António José Seguro, afirmou que o Dia do Trabalhador sevive num tempo de inquietações, com inflação e custo de vida a pressionarem rendimentos.
- Luís Montenegro não comentou diretamente o pacote laboral, reafirmou que o Governo valoriza o trabalho e pressionou a UGT a aceitar o acordo, dizendo que a UGT tem de considerar a cedência.
- A CGTP convocou greve geral para 3 de junho; a UGT garantiu que não cederá às chamadas “traves mestras” do Governo, e Tiago Oliveira apelou à mobilização e à convergência de estruturas sindicais.
- Dados sobre o mercado de trabalho em Portugal indicam 15,1% de temporários, 14,7% a trabalhar por conta própria e uma carga horária média de 39,7 horas por semana.
Em pleno Dia do Trabalho, milhares de manifestantes encheram as ruas contra o pacote laboral proposto pelo Governo. António José Seguro, presidente da República, mostrou apoio aos trabalhadores alarmando que o emprego deve compensar o custo de vida, enquanto a mobilização ganhou força em Lisboa.
Seguro afirmou que o tempo atual é de inquietação, com guerras, desaceleração económica e inflação que reduz o rendimento mensal. A mensagem central foi a defesa da dignidade do trabalho e a resistência à precariedade generalizada.
O Presidente reforçou que já houve momentos difíceis no passado e que a resposta não foi a resignação. Afirmou que a luta por direitos tem de impedir que contratos precários se tornem uma norma de vida para muitos trabalhadores.
À margem de Melgaço, Luís Montenegro não respondeu às perguntas sobre o pacote laboral, mantendo posição de apoio ao Governo. Garantiu que o Governo valoriza o trabalho e que está aberto a negociar, apontando a UGT como o principal obstáculo à reconstituição de um acordo.
Montenegro insistiu que a UGT tem liberdade para dizer não, mas não pode apresentar teimosia como posição de todos. Reforçou que o entendimento entre parties é essencial para avançar com o acordo.
No mesmo tom, o PS voltou a pedir o recuo do Governo, com José Luís Carneiro a apelar para deixar cair o pacote laboral, por considerar que ofende os trabalhadores. André Ventura também disse que a reforma não parece melhorar a produtividade nem a economia.
UGT e CGTP mantêm posição firme
A CGTP pediu a adesão à greve geral de 3 de junho e a UGT garantiu não ceder face às chamadas às “traves mestras” do Governo. Na intervenção de encerramento da manifestação em Lisboa, Tiago Oliveira destacou a necessidade de uma mobilização ampla e exigiu aumentos salariais significativos.
O dirigente da CGTP descreveu o pacote como um dos maiores ataques evidentes aos direitos dos trabalhadores e defendeu a convergência de estruturas sindicais para pressionar por mudanças. A defesa de um aumento mínimo de 150 euros foi enfatizada.
Na atuação do lado da UGT, Mário Mourão enfatizou a unidade interna e a rejeição de propostas que falam em cedência sem avanços em matérias centrais. O líder sindical frisou que a negociação real não passa pela capitulação de uma parte, mas por um acordo sustentável.
Dados sobre o mercado de trabalho em Portugal
- Temporários: Portugal apresenta cerca de 15,1% de trabalhadores com contrato temporário, acima da média europeia.
- Por conta própria: 14,7% da força laboral atua de forma independente, acima da média da UE (13,7%).
- Carga horária: Portugal é o quinto país da UE com maior média de horas semanais, num total de 39,7 horas.
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