- Mulher bengalesa de 26 anos, que usava hijab e máscara, foi expulsa do autocarro da Carris, na linha 737, em Lisboa, na passada sexta-feira de manhã.
- O motorista disse que não podia entrar com a cara tapada; Mim Akter baixou a máscara para mostrar o rosto, mas foi avisada a deixar o veículo caso não a removesse.
- A mulher acabou por sair, depois de pressão de outra passageira para não arranjar problemas; apresentou queixa e a Carris abriu um inquérito para apurar os factos.
- O Bloco de Esquerda questionou a Câmara Municipal de Lisboa sobre o caso, pedindo informações sobre a formação da Carris, o processo de averiguação e medidas para evitar discriminação no acesso aos transportes públicos.
O motorista da Carris expulso uma mulher muçulmana com hijab e máscara de proteção de um autocarro em Lisboa. O episódio ocorreu na passada sexta-feira de manhã, na carreira 737, quando a utente tentava entrar no veículo. O motorista alegou que não era permitido entrar com o rosto tapado.
A mulher, de 26 anos e natural de Bangladesh, afirma ter sido impedida de embarcar após deixar os filhos numa escola. Ao ser solicitado a retirar a máscara, a passageira baixou-a para mostrar o rosto, mas o motorista insistiu na retirada sob pena de o autocarro não arrancar. A mulher acabou por deixar o autocarro, pressionada por outra passageira.
A Carris abriu um inquérito interno para apurar os factos, afirmando que irá tomar medidas adequadas em conformidade com as conclusões do processo. A empresa sublinha princípios de inclusão, respeito pela diversidade e cumprimento das normas legais.
Reações políticas e avaliações estruturais
O Bloco de Esquerda questionou a Câmara Municipal de Lisboa sobre o caso, defendendo que não se trate apenas de um comportamento isolado. A vereadora Carolina Serrão pediu informações sobre o estado do inquérito interno da Carris, formação em interculturalidade e medidas para prevenir discriminação no transporte público.
A vereadora ressalvou que a Carris é uma empresa municipal detida pela Câmara e deve pautar-se por legalidade, igualdade e direitos fundamentais. O objetivo é entender as diligências, prazos e ações de formação aplicadas pela empresa para evitar episódios semelhantes no futuro.
Mim Akter recorreu a apoio de uma associação local e apresentou queixa às autoridades e ao livro de reclamações da Carris. Técnicos sociais apontam que o incidente evidencia um ambiente de marginalização que afeta migrantes e comunidades religiosas.
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