- Em Gaia foi cancelado um concurso para disponibilização de trotinetes elétricas por razões de segurança, com a Associação Estrada Viva a contestar a decisão.
- A Estrada Viva sustenta que as trotinetes “não são um problema comparadas com os automóveis” e destaca o domínio do automóvel na sinistralidade rodoviária.
- A GNR informou, a 13 de março, que entre 2019 e 2025 se registaram dez mortos em acidentes com trotinetes.
- Em Portugal, no ano de 2025, morreram 448 pessoas em acidentes de viação, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna.
- O debate sobre trotinetes também ocorreu no Porto e em Gaia, com propostas de estudo sobre sinistralidade aprovadas e a PSP a reconhecer a vulnerabilidade dos utilizadores de modos suaves.
Em Gaia foi cancelado um concurso para disponibilização de trotinetes elétricas, alegando razões de segurança. A decisão envolve a Câmara Municipal e decorreu após estudo interno, com aprovação de um estudo equivalente. A associação Estrada Viva contesta, defendendo que as trotinetes não são o principal problema da sinistralidade rodoviária.
A Estrada Viva, rede de associações dedicada à cidadania rodoviária, afirma que o foco deve recair sobre os automóveis, que, segundo dados da GNR, concentram a maior parte dos acidentes. O presidente Mário Alves sustenta que, apesar de assustarem, as trotinetes não chegam aos números dos automóveis.
Dados da GNR, divulgados em março, mostram 10 mortos por trotinetes entre 2019 e 2025. Em comparação, o Relatório Anual de Segurança Interna indica 448 mortos em acidentes de viação em Portugal em 2025. Assim, o peso relativo dos modos suaves é apresentado como muito menor.
O debate em Gaia sucede a um incidente no Porto, em abril, que levou à abertura de um estudo sobre trotinetes e sinistralidade, aprovado por unanimidade pela vereação municipal. A Câmara já aprovou, em Gaia, um estudo semelhante após o cancelamento do concurso.
Mário Alves destaca que a maior parte dos acidentes com bicicletas resulta em feridos leves, mas colisões com automóveis costumam ter consequências graves. O dirigente critica campanhas que parecem colocar o ónus nos utilizadores e defende mudanças no desenho urbano.
A PSP reconheceu, em junho de 2025, que utilizadores de modos suaves são os mais vulneráveis, numa cidade com circulação de velocípedes, trotinetes e veículos pesados. Ainda assim, não houve esclarecimento sobre quem deve merecer maior cuidado.
Segundo Alves, o problema não é apenas a tecnologia das trotinetes, mas a forma como as cidades foram desenhadas desde os anos 80, quando houve aumento da posse automóvel. O dirigente aponta para uma urbanidade desordenada e uma dependência do automóvel na sociedade portuguesa.
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