- Dos 0 aos 5 anos: a liberdade é encenada, com limites seguros que permitem explorar; nasce a confiança em tentar sem se perder.
- Entre os 5 e os 10 anos: a liberdade ganha estrutura, com regras e escolhas num espaço partilhado, ajudando a transformar o exterior em interior.
- Dos 10 aos 15 anos: a liberdade passa a ser interna, é preciso descobrir o que faz sentido; a criança aprende a escutar, sustentar e dialogar.
- Contexto: a explicação é dada pela psicóloga Isabel Henriques, associada à celebração do 25 de Abril, para explicar o conceito de liberdade em cada faixa etária.
No dia em que se assinala a Revolução dos Cravos, a psicóloga Isabel Henriques explica como abordar o conceito de liberdade junto de crianças e jovens, por faixa etária, até aos 15 anos. O objetivo é clarificar um valor que, embora simples na palavra, exige compreensão em cada etapa da vida.
Para a especialista, a liberdade precisa de ser vivida, compreendida e traduzida consoante a idade. Em tempos de celebração, sublinha ainda que a forma de falar sobre o tema deve acompanhar o ritmo de desenvolvimento dos mais novos e as mudanças do mundo atual.
A entrevista apresenta caminhos práticos para pais e educadores, com foco na construção gradual da autonomia. A psicóloga também é diretora clínica da Mental Health Clinic, que colabora na interpretação de cada fase do desenvolvimento.
Dos 0 aos 5 anos
Nesta fase, a liberdade é encenada em vez de explicada. A criança explora sob orientação do adulto, aprendendo através do toque e do toque seguro do mundo. A confiança nasce quando o jovem percebe que pode tentar sem se perder, entre duas opções e com limites previsíveis.
Dos 5 aos 10 anos
A dimensão da liberdade ganha estrutura. A criança começa a perceber regras, consequências e convive num espaço partilhado. Explicar liberdade passa por transmitir que ser livre é escolher dentro de limites, não fazer tudo, mas mover-se entre possibilidades.
Dos 10 aos 15 anos
A liberdade torna-se interna. Há a fase de dúvida, confronto e decisão autónoma. O jovem testa, afasta-se e experimenta várias versões de si. O diálogo passa a sustentar a escolha, que não é fugir às consequências, mas escolher consciente das suas repercussões.
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