Num mês dedicado à consciencialização do Autismo, a mensagem é a normalização. O desafio está em permitir que cada pessoa encontre o seu lugar, com autonomia, equilíbrio e pertença.
Maria do Mar Vieira, 30 anos, natural de Coimbra, é bailarina. Diagnosticada aos 16, descreve uma época de depressão e perda de identidade, antes de encontrar na dança um espaço de expressão.
Hoje, a dança ajuda-a a exprimir o que não consegue dizer em voz alta. A bailarina celebra cada conquista, defende a importância de seguir aquilo que se gosta e não desistir.
Percursos artísticos
Para a pediatra Micaela Guardiano, encontrar um espaço seguro potencia felicidade e potencial humano. O impacto é observado tanto no palco como fora dele, com aumento de autoconfiança.
Maria do Mar partilha ainda a sua experiência online, com o objetivo de apoiar outras pessoas e famílias, dando voz a quem muitas vezes fica na sombra.
No Porto, Dinis Ferreira, 14 anos, explora o acordeão no Conservatório de Música. O professor José Fangueiro aponta que a expressão de Dinis se dá sobretudo pela música.
A mãe de Dinis destaca ganhos na concentração e na autoestima. Aquilo que parece simples na escola, ganha novo significado através da prática musical, que o faz sentir-se incluído.
Surf como equilíbrio
Em Matosinhos, Vicente Proença, 8 anos, encontra no surf um refúgio. O contacto com a água regula-o e reforça a focusidade diária.
A mãe, Rita Gigante, descreve Vicente mais estável após as sessões, com maior motivação e sensação de normalidade. O instrutor Tiago Fazendeiro sublinha a importância da inclusão.
O objetivo é desenvolver autonomia social, reconhecendo tempo e ritmo próprios de cada criança, sem exigir padrões externos.
Para a pediatra Guardiano, cada pessoa é única. O foco deve ser potenciar aquilo que a criança já mostra, em vez de tentar normalizar a diferença.
Experiências multidisciplinares são valorizadas, defendendo que o desenvolvimento surge a partir da diversidade de atividades.
Entre na conversa da comunidade