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Multidão em Angola busca consolo nas palavras de Leão XIV

Milhares de fiéis em Luanda acompanham missa ao ar livre com o Papa Leão XIV, destacando a desigualdade económica e a esperança no país

Dezenas de milhares de pessoas reuniram-se, este domingo de manhã, em Kilamba, nos arredores de Luanda, para uma missa ao ar livre presidida pelo Papa Leão XIV, no segundo dia da visita a Angola.
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  • Dezenas de milhares reuniram-se em Kilamba, nos arredores de Luanda, para uma missa ao ar livre presidida pelo Papa Leão XIV no segundo dia da visita a Angola.
  • Fiéis procuraram esperança nas palavras do Pontífice, com Patricio Musanga a salientar a desigualdade entre a riqueza natural do país e a população.
  • Angola é um dos principais produtores de petróleo e tem diamantiferos, mas cerca de um terço da população vive na pobreza, segundo o Banco Mundial.
  • À tarde, o Papa segue para o Santuário de Nossa Senhora da Muxima; as peças para o cenário foram criadas pela Antarte, empresa portuguesa, e enviadas para Angola.
  • A Antarte já desenvolveu quatro projetos para o Vaticano; o cadeirão, o altar e o ambão foram concebidos por uma equipa de doze profissionais com produção em madeira, pau-preto e pedra calcária rosada, montados por seis trabalhadores locais.

Dezenas de milhares reuniram-se neste domingo de manhã em Kilamba, arredores de Luanda, para uma missa ao ar livre presidida pelo Papa Leão XIV, na segunda jornada da visita a Angola. O evento ocorreu no espaço de uma celebração aberta, com presença de fiéis e curiosos. A organização apontou para uma cerimónia com forte componente de esperança.

Entre os presentes, Patricio Musanga, de 32 anos, destacou que o país é rico em recursos naturais, mas enfrenta desigualdade acentuada. O padre Pedro Chingandu, vindo de Moxico, acrescentou que a riqueza está concentrada e pediu uma democracia sólida e justiça, em declarações à AFP.

Apesar de a economia angolana ser marcada pela produção petrolífera e pela exploração de diamantes, cerca de um terço da população vive na pobreza, segundo dados do Banco Mundial. As palavras do Papa serão acompanhadas de uma deslocação ao Santuário de Nossa Senhora da Muxima, no período da tarde.

Cadeirão papal e inspiração portuguesa

À tarde, o Papa desloca-se ao Santuário de Nossa Senhora da Muxima, espaço de peregrinação com uma igreja secular. As peças que enfeitam o palco principal são da marca portuguesa Antarte, em Rebordosa, que assina o quarto projeto para o Vaticano.

O desafio foi colocado a Mário Rocha, fundador da Antarte, pela Igreja Angolana em janeiro. Rocha aceitou de imediato, citando a ligação histórica com o Vaticano. O processo criativo começou no início de fevereiro, resultando num conjunto de 14 peças.

Processo criativo e materiais usados

Uma equipa de 12 profissionais trabalhou em mais de 160 horas para conceber o mobiliário, com destaque para o cadeirão, o altar e o ambão. O conjunto combina madeira, pau-preto e pedra calcária rosada extraída na região da Muxima, mantendo sobriedade imposta pelo Vaticano.

O cadeirão privilegia conforto com fibras naturais como algodão e linho, produzidas em teares artesanais. A zona frontal apresenta um detalhe em pedra calcária rosada, semelhante ao ambão e ao altar. As peças foram enviadas para Angola no final de fevereiro.

Montagem e parcerias

A montagem esteve a cargo de seis técnicos da Antarte no terreno, acompanhada pela equipa de Mário Rocha desde o início das negociações. O empresário acompanhou todo o processo, valorizando o privilégio de contribuir para o evento.

Esta é a quarta colaboração entre a Antarte e o Vaticano, mantendo uma ligação histórica de produção para ocasiões papais. Em 2010, a cadeira de descanso de Bento XVI foi criada para uma visita ao Porto; em 2023 houve uma instalação de arte para Veneza; em 2024 foi utilizado um cadeirão em Timor-Leste.

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