- A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária apela que Portugal tem o perfil de mortalidade urbana mais elevado da União Europeia, com 55% das mortes ocorridas em zonas urbanas, face a 39% na média europeia.
- Entre 2022 e 2025, a mortalidade dentro das localidades aumenta (8% a 24 horas; 5,9% a 30 dias), enquanto fora das localidades diminui (-17,8% a 24 horas; -15,8% a 30 dias).
- Dentro das zonas urbanas, por cada 100 mortes nas primeiras 24 horas ocorrem mais 45 mortes até aos 30 dias; fora das localidades esse número é 18.
- O relatório aponta um excesso de velocidade declarado em zonas urbanas portuguesas (65,2%), acima de Espanha (48,4%), indicando risco maior no ambiente urbano.
- Portugal reduziu a mortalidade rodoviária por milhão de habitantes de 118,8 (2005) para 58,1 (2024), mas continua acima da média da UE (45) e de Espanha (36,7); observa-se concentração sazonal de gravidade no terceiro trimestre.
Portugal mantém o maior perfil de mortalidade urbana da UE, segundo a ANSR. Entre 2022 e 2025, o regime pós-pandemia revela dicotomia: menos fatalidades fora de localidades, mais dentro delas, com aumento de mortes e feridos graves.
Fora das localidades, as mortes nos primeiros 24h diminuem 17,8% e as até 30 dias caem 15,8%. Dentro das localidades, registam-se aumentos de 8% (24h) e 5,9% (30 dias). O relatório destaca maior peso de lesões graves no urbano.
No meio urbano, por cada 100 mortes nas primeiras 24h ocorrem 45 até aos 30 dias, frente a 18 fora das localidades, sugerindo que acidentes urbanos evoluem para fatalidades semanas depois. Há reforço da intervenção nas cidades.
Contexto e impactos
O estudo indica necessidade de atuar em ambiente urbano, com foco na velocidade, proteção de utentes vulneráveis e conflitos entre modos de deslocação. O peso das vias urbanas eleva-se face às estradas.
Portugal tem 55% das mortes em zonas urbanas contra 39% na média europeia; Espanha regista 27% em zonas urbanas. A diferença aponta para prioridade distinta de intervenção: cidades em PT, vias interurbanas em ES.
A ANSR destaca que a elevada participação de autoestradas em Espanha (21% das mortes) ocorre numa rede muito densificada, mas que a velocidade continua a ser fator de risco. Em Portugal, o problema concentra-se em vias urbanas e rurais, com 8% das mortes em autoestrada.
O relatório aponta ainda um excesso de velocidade declarado em zonas urbanas marcado, 65,2% em PT contra 48,4% em Espanha, refletindo o perfil urbano dominante em Portugal.
Perspetivas e liderança
Há concentração sazonal de gravidade no terceiro trimestre, com mais de 30% das vítimas no verão, sem concentrar proporcionalmente o total de acidentes. Em termos históricos, Portugal reduziu mortalidade rodoviária de 118,8 em 2005 para 58,1 em 2024, mas não atingiu convergência com países mais seguros.
A comparação internacional mostra evolução mais estável em Espanha; Portugal registou estagnações e recuos desde a segunda metade da última década, com aumento de mortos entre motociclos e ciclomotores.
O relatório foi divulgado no dia da posse de Pedro Clemente como presidente da ANSR, numa cerimónia liderada pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, que anunciou medidas estratégicas para a segurança rodoviária face ao aumento de vítimas.
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