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Atriz luso-descendente afirma ter vivido caso envolvendo Gisèle Pelicot online

Collien Fernandes denuncia deepfakes criados pelo ex-marido, causando ameaças de morte e destacando paralelismo com o caso Gisèle Pelicot

Atriz e apresentadora luso-descendente Collien Fernandes tem recebido apoio de milhares de pessoas após denúncia de deepfakes feitos com imagens e vídeos dela
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  • A atriz Collien Fernandes, luso-descendente na Alemanha, revelou ter descoberto perfis falsos com vídeos e imagens explícitas criados por inteligência artificial, atribuídos ao seu então marido, Christian Ulmen.
  • Fernandes afirma que, usando a sua voz manipulada, o agressor levou cerca de trinta homens a acreditar numa relação secreta online consigo, incluindo pessoas do seu círculo profissional.
  • A apresentadora diz ter considerado apresentar queixa criminal de início, decidiu avançar com o caso e já apresentou queixa em Palma de Mallorca, Espanha; encontra-se em terapia intensiva para apoiar a recuperação emocional.
  • Ulmen nega as acusações e os advogados do ator acionaram processo contra uma revista por alegar envolvimento do marido; o Ministério Público alemão investiga o caso. Fernandes relata ainda ameaças de morte e utiliza um colete à prova de bala em atos públicos.
  • Em Portugal, registaram-se 1.067 crimes de extorsão sexual em 2025, mais 6,8% face a 2024, com uso de plataformas digitais a facilitar a disseminação de conteúdos e a dificultar a identificação dos autores.

A atriz luso-descendente Collien Fernandes partilhou que os perfis falsos criados em torno da sua identidade, com conteúdos explícitos gerados por inteligência artificial, teriam origem no seu ex-marido, o ator Christian Ulmen. O anúncio veio à luz através da AFP, que cita a revelação da artista na Alemanha. Fernandes afirma ter descoberto que dezenas de homens viralizaram conteúdos manipulados com o seu rosto, com o objetivo de a prejudicar publicamente.

A apresentadora, de 44 anos, explica ter inicialmente hesitado em apresentar queixa criminal, mas o seu advogado incentivou-a a avançar, comparando o caso com a histórica violência digital associada a Gisèle Pelicot. Pelicot tornou público um abuso prolongado cometido pelo casal, episódio que se tornou símbolo global na luta contra o controlo digital e a violência contra mulheres.

Fernandes revelou que, numa fase inicial, tentou esclarecer a situação em público sem recorrer ao processo penal. Contudo, o historial de familiares e colegas afetados terá convencido a artista a prosseguir com denúncias, inclusive numa entrevista em março e posteriormente em Palma de Mallorca, Espanha, no final de 2025.

Os advogados de Ulmen contestaram as acusações, afirmando que o ator jamais produziu ou distribuiu vídeos deepfake envolvendo Fernandes ou qualquer outra pessoa. Além disso, destacam que o processo judicial segue com o objetivo de clarificar os factos e proteger os direitos do influencer.

Em simultâneo, Fernandes relatou ameaças de morte que justificam o uso de colete à prova de bala em atos públicos de condenação das deepfakes. A artista descreveu uma receção tensa por parte de parte da sociedade alemã e mencionou a ausência de testemunhos do autor do crime.

O caso alimenta debates na Alemanha, com o Ministério Público a indicar que investiga o ex-marido com base em elementos apresentados pela jornalista da Spiegel, no âmbito de denúncias anteriores. A generalidade da cobertura mantém o foco na proteção das vítimas e na responsabilização de autores de violência digital.

No panorama português, dados do Relatório Anual de Segurança Interna indicam um aumento de 6,8% nos crimes de extorsão sexual em 2025, face a 2024. O total de ocorrências atingiu 1067, perto de três casos por dia. O relatório sublinha que os conteúdos íntimos partilhados digitalmente elevam o risco para as vítimas, com impactos na escolaridade e no bem-estar psicológico.

Entre os fatores identificados, a circulação rápida de conteúdos em plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp é apontada como agravante. O documento reforça a necessidade de políticas de proteção e de investigações mais eficazes para identificar autores e reduzir danos.

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