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Atrasos e burocracia nos programas públicos deixam milhares sem apoio energético

Organizações denunciam burocracia e atrasos nos programas de eficiência energética, deixando milhares em pobreza energética sem apoio eficaz

Uma fatia significativa do edificado em Portugal padece de mau isolamento térmico
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  • Mais de 600 mil pessoas vivem em pobreza energética severa em Portugal, num universo estimado entre 1,8 e três milhões de habitantes com dificuldades de manter a casa quente no Inverno e fresca no Verão, segundo organizações e investigadores.
  • A análise conjunta aponta falhas estruturais nos programas públicos de eficiência energética das habitações — Edifícios Mais Sustentáveis, Vale Eficiência e E-Lar — que continuam ineficazes para as famílias mais vulneráveis.
  • Entre os problemas identificados estão falta de recursos humanos qualificados, morosidade de processos, atrasos nos reembolsos, burocracia complexa, informação pouco clara, custos não previstos e plataformas digitais com falhas.
  • As entidades defendem uma reorientação profunda das políticas, privilegiando medidas estruturais e passivas (isolamento térmico, substituição de janelas), alinhadas com o Plano Nacional de Energia e Clima de 2030, além de melhorar a capacidade administrativa e combater a exclusão digital.
  • Para o Orçamento de 2026, destacam três prioridades: incentivos fiscais para eficiência energética e energias renováveis, financiamento a fundo perdido para famílias vulneráveis e uma linha de apoio para comunidades de energia por autarquias e entidades do setor social.

Mais de 600 mil portugueses vivem em pobreza energética severa, num universo entre 1,8 e 3 milhões de habitantes com dificuldades em aquecer ou arrefecer as casas. Organizações e investigadores denunciam falhas estruturais nos principais programas públicos de eficiência energética, apontando-os como inacessíveis, lentos e pouco eficazes.

O grupo que assinou o comunicado inclui a Coopérnico, GEOTA, Rede Europeia Anti-Pobreza e Zero, com dois investigadores da CENSE, da Universidade Nova de Lisboa. Alegam que, apesar de o tema ganhar peso na agenda política, as respostas permanecem aquém.

A análise foca-se em três programas: Edifícios Mais Sustentáveis, Vale Eficiência e E-Lar. Conclui-se que persistem limitações estruturais que comprometem a eficácia, sobretudo junto das famílias mais vulneráveis.

Do Vale Eficiência ao E-Lar

Entre os problemas comuns estão a falta de recursos humanos qualificados, a morosidade dos processos, atrasos nos reembolsos e complexidade burocrática. A situação é agravada por informação pouco clara, custos não previstos e plataformas digitais com falhas.

O Edifícios Mais Sustentáveis mostra desequilíbrio entre procura e capacidade de resposta, com longos tempos de espera, favorecendo quem tem maior capacidade económica. O Vale Eficiência regista atrasos prolongados e dificuldades de acesso às plataformas.

O E-Lar, lançado em 2025, visa a electrificação de consumos, mas limita-se à substituição de equipamentos a gás, sem intervenção estrutural nos edifícios, segundo as organizações. Problemas técnicos na plataforma e uma distribuição desigual dos apoios também são apontados.

Recomendações e prioridades

As entidades defendem uma reorientação profunda das políticas públicas, com programas mais estruturados, integrados e orientados para medidas passivas como isolamento térmico e janelas. Devem alinhar-se com o PNEC 2030 e metas de redução da pobreza energética.

Entre as recomendações estão o reforço da capacidade administrativa, testes prévios aos mecanismos, melhorias nas plataformas de candidatura e comunicação mais clara. É também defendido o combate à exclusão digital com atendimento presencial e telefónico.

No Orçamento de 2026, as organizações sugerem: incentivos fiscais para eficiência e energias renováveis, financiamento a fundo perdido para famílias vulneráveis e apoio para comunidades de energia por autarquias e entidades sociais.

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