- Cascais tornou-se um polo de personal trainers brasileiros, com várias academias low cost e de alto padrão, além de serviços em casa e online.
- Marcus Souza, 53 anos, levou quase cinco meses para validar o diploma em Portugal; durante esse tempo fez motorista de aplicativo e vendeu roupas, depois tornou‑se autónomo na região.
- Camila Villanova, 43 anos, também enfrentou a validação do diploma e investiu no ensino online durante a pandemia, mantendo agora alunos presenciais em Cascais.
- A diferença entre Brasil e Portugal passa pela qualificação: em Portugal não é obrigatório ter licenciatura, apenas um curso técnico com Título Profissional de Técnico de Exercício Físico (TPTEF).
- Profissionais destacam que os brasileiros costumam ter maior cultura de ter personal trainer, e que o mercado em Portugal tende a ser menos elitizado, com custos mais acessíveis para parte da população.
Brasileiros impulsionam a job market de Cascais como personal trainers, entre ginásios de baixo custo e atendimentos domiciliários. A região, a 30 km de Lisboa, abriga cerca de 15 mil brasileiros entre 214 mil habitantes, com forte presença no fitness.
Marcus Souza, 53 anos, chegou a Portugal há quase nove anos. Enquanto aguardava a validação do diploma, atuou como motorista de app e vendedor. Hoje trabalha como autónomo em Cascais, com treino presencial e online, contando com 14 clientes presenciais e mais de cem online.
Camila Villanova, 43, também carioca, demorou um ano e meio a ter o diploma validado. Durante a pandemia, passou a dar aulas online, uma opção que manteve após a reabertura. Em Cascais, trabalha com treino domiciliário e online, somando uma carteira de 12 alunos.
Karen Guimarães, 50, paulista, desde 2022 em Portugal, comenta diferenças linguísticas no vocabulário de treino. Algumas expressões em português de Portugal soam estranhas para brasileiros, o que revela a adaptação necessária à prática local.
Mudanças no mercado de formação e atuação
Miguel Cruz, 27, em Carcavelos há seis anos, observa que há muitos brasileiros no campo fitness. A existência de diploma não é requisito obrigatório em Portugal; pode haver formação técnica com TPTEF. A concorrência é saudável desde que os profissionais estejam documentados.
Segundo Cruz, a diferença entre clientes brasileiros e portugueses não é apenas cultural, mas também de valorização do treino de força. Os brasileiros costumam recorrer mais a personal trainers, o que impacta a dinâmica de atendimento.
Wendell Fontana, 51, de Mogi das Cruzes, avalia que ter um personal trainer em Portugal é mais acessível economicamente do que no Brasil, especialmente com redes de low cost. Observa que a profissionalização é mais visível no país, com maior poder de compra.
Curso técnico é comum para entrada no mercado português: o TPTEF permite atuar sem licenciatura. Jovens sem experiência podem ingressar com formação básica, enquanto muitos buscam especializações para melhorar o currículo.
Os relatos indicam que os brasileiros, sobretudo os do Rio de Janeiro, costumam demonstrar abertura e facilidade de comunicação, características valorizadas por parte de clientes locais. O setor, no entanto, exige organização documental para validação de diplomas e atuação regular.
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