- Em 17 de abril de 1969, Alberto Martins pediu a palavra ao Presidente da República na inauguração das Matemáticas; foi interrompido e, à saída, a polícia prendeu-o pela PIDE, abrindo a crise académica.
- A 22 de abril, a Assembleia Magna declarou greve e Luto Académico, suspendendo a praxe até 1980; ficou famosa a caricatura de Hermano Saraiva assinada por João Botelho.
- Dias depois, Hermano Saraiva encerrou a Universidade e os estudantes fizeram greve aos exames, com debates, teatro e concertos de solidariedade, incluindo a “Operação Flor” e a “Operação Balão”.
- A 22 de junho, a Académica de Coimbra qualificou-se para a final da Taça de Portugal; milhares de estudantes estiveram no Jamor com capas negras, o Benfica venceu por 2-1 e houve grande aparato policial.
- A 24 de julho, a adesão à greve foi de 86,8%; 49 estudantes foram mobilizados para o Curso de Oficiais Milicianos; em julho, o governo editou um decreto militar que alterava o serviço militar.
No dia 17 de abril de 1969, durante a inauguração solene do edifício das Matemáticas em Coimbra, Alberto Martins, presidente da Associação Académica, pediu a palavra ao Presidente da República, Américo Tomás. Não lhe foi permitido falar, a cerimónia terminou de forma abrupta e à saída os estudantes inteiramente revoltados hostilizaram o chefe de Estado. A PIDE prendeu Alberto Martins nessa mesma noite.
Dias depois, em 22 de abril, a Assembleia Magna de Coimbra declarou greve e o Luto Académico. A praxe e rituais foram suspensos; as capas caídas ao ombro tornaram-se símbolo de contestação. A polémica com Hermano Saraiva ganhou visibilidade na televisão e ficou marcada pela caricatura de um estudante.
A escalada da crise
O ministro da Educação foi à televisão prometer restabelecer a ordem, provocando a resposta de que ficou famosa entre estudantes. O autor João Botelho criou a caricatura do ministro a cair de uma coluna, com a legenda “Hermano, o firme”. Dias depois, Hermano Saraiva ordenou o encerramento da universidade.
A pressão nas provas e a repressão
A greve aos exames começou em 2 de junho de 1969, quando Coimbra acordou sob estado de guerra. PSP e GNR ocupavam a cidade, com patrulhas a cavalo e arame farpado. Os estudantes organizaram debates, teatro, concertos e ações de solidariedade, como a “Operação Flor” e a “Operação Balão”.
O eco no futebol
A 22 de junho de 1969, a Académica de Coimbra disputou a final da Taça de Portugal no Estádio Nacional, com milhares de estudantes na bancada. Trajando capas negras caídas, saíram para saudar o público, numa final televisiva não transmitida em direto. O Benfica levou o troféu, num jogo decidido na prorrogação.
Desfechos e consequências
A adesão à greve, anunciada a 24 de julho, atingiu 86,8% dos estudantes, num golpe ao regime. Entre docentes e estudantes, houve forte mobilização, incluindo 16 mulheres entre os 83 detidos por sedição. A repressão incluiu mobilização compulsória para o serviço militar.
A soma da repressão e a transformação
Em 4 de julho de 1969, o governo modificou a Lei do Serviço Militar para exigir bom comportamento académico. A lista de 83 alunos de Coimbra mobilizados mostrou o peso da repressão. Em 1974, o movimento dos capitães derrubou a ditadura, com símbolos frequentemente associados à crise académica de 1969.
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