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Chile reavalia expropriação da Colónia Dignidad usada na tortura por Pinochet

Chile recua na expropriação de 117 hectares da Colonia Dignidad, citando custos, enquanto o governo mantém foco em habitação e prioridades sociais

José Antonio Kast
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  • Chile revê a expropriação da Colonia Dignidad, antiga instalação usada para torturas na ditadura de Augusto Pinochet.
  • A Colonia Dignidad fica a 380 quilómetros ao sul de Santiago e foi fundada em 1961 por Paul Schäfer, ex-cabo nazi.
  • Schäfer foi detido em 2005 na Argentina, considerado culpado de agressões sexuais a crianças e morreu na prisão em 2010.
  • Após a ditadura, o Governo dissolveu a colónia; as terras ficaram em mãos de parte dos colonos que se opõem à expropriação.
  • O Governo de Gabriel Boric tinha decretado a expropriação de 117 hectares para um local de memória, mas o ministro Iván Poduje disse que revoga o decreto por questões orçamentais, apontando uma prioridade social.

A reviravolta sobre a Colonia Dignidad chegou a Chile, com o Governo a anunciar uma revisão do processo de expropriação do enclave. Localizado a 380 quilómetros ao sul de Santiago, o complexo foi fundado em 1961 e dirigido durante décadas por Paul Schäfer, ex-cabo nazi.

Schäfer foi detido em 2005 na Argentina e condenado por agressões sexuais a menores, morrendo na prisão em 2010. Durante a ditadura de Pinochet, a Colonia Dignidad funcionou também como centro de tortura e execução, com estimativas de 26 opositores que desapareceram no local.

Após o regime, o Governo dissolveu a colónia, mas as terras continuaram em mãos de alguns colonos que resistem à expropriação. O Governo de esquerda de Gabriel Boric decretou, em julho de 2025, a expropriação de 117 hectares para criar um local de memória.

O ministro da Habitação, Iván Poduje, disse ao jornal La Tercera que o decreto anterior, que promovia a expropriação, será revogado devido a custos elevados. A posição atual é de reconsideração financeira, sem alinhamento ideológico.

Reconsideração e prioridades

Poduje afirmou que a decisão se baseia num critério de prioridade social, com foco na habitação, melhoria urbana e direitos humanos. O ministro mencionou as dificuldades orçamentais herdadas do governo anterior e a necessidade de assegurar serviços básicos às comunidades.

A afirmação reforçou que o Ministério da Habitação trabalha para construir casas, melhorar a cidade e criar bairros, ao mesmo tempo que aponta para violação de direitos humanos, sobretudo de menores em situações de vulnerabilidade.

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