- No dia nacional do estudante, mais de cinquenta estruturas do Movimento Associativo Estudantil participam numa manifestação em Lisboa, que começou no Rossio e termina em frente à Assembleia da República.
- Largas centenas de estudantes exigem gratuitidade no ensino superior, melhores bolsas e mais alojamento.
- Os manifestantes destacam a falta de residências e o alojamento insuficiente para estudantes deslocados, com relatos de dificuldades para manter os estudos sem alojamento estável.
- No total deste ano, cerca de quarenta e cinco mil alunos ficaram colocados numa instituição de ensino superior pelo concurso nacional de acesso, quase cinco mil caloiros a menos que no ano anterior.
- Enquanto o governo vê possível aumento das propinas, os participantes pedem o fim das propinas e um maior investimento no ensino; a manifestação terminou com concentração junto à Assembleia da República e apelos à prioridade do orçamento para a educação.
Vinte e quatro de março ficou marcado pela mobilização estudantil em Lisboa, com mais de 50 estruturas do Movimento Associativo Estudantil a participar na manifestação que começou no Rossio e terminou junto à Assembleia da República. O protesto pediu gratuitidade no ensino superior, bolsas mais robustas e aumento de alojamento para estudantes.
Largas centenas de alunos de todo o país estiveram envolvidos, representando associações de estudantes, núcleos, tunas e comissões de residentes. O porta-voz da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa destacou a existência de menos vagas para novos estudantes e o impacto desvantajoso para quem surge com menos recursos.
Dados oficiais indicam que cerca de 45 mil jovens foram colocados numa instituição de ensino superior neste ano, com uma redução de cinco mil caloiros face ao anterior concurso. Os manifestantes reivindicaram a gratuitidade das propinas, apontando insuficiência de bolsas para cobrir custos básicos.
Participantes e reivindicações
Entre os avisos e mensagens exibidos estavam pedidos de residências estudantis acessíveis e de maior apoio social. Estudantes deslocados das Caldas da Rainha e de outras regiões sublinharam a escassez de alojamento adequado na valorização do percurso académico.
Violeta Gregório, aluna de 21 anos, explicou à Lusa que já não basta a bolsa atual para cobrir tudo e que o alojamento é uma preocupação constante para manter o progresso académico. Trabalha e estuda, ressaltando a pressão de cada semestre para continuar.
O problema do alojamento foi também destacado por Idalgízio Gomes, aluno do Instituto Politécnico de Barcelos, que referiu a construção de uma nova residência há três anos sem solução. A falta de camas continua a afetar a participação em aulas.
Pedro Neto Monteiro, representante da federação académica de Lisboa, pediu maior representatividade no regime jurídico das instituições, para que os estudantes tenham mais voz nas decisões que afetam o ensino superior.
Contexto
No dia, o tema das propinas voltou a emergir, com críticas ao financiamento educativo. A manifestação decorreu sem incidentes relevantes e terminou em frente à Assembleia da República, onde os participantes reafirmaram o foco em investimento público na educação.
O Dia Nacional do Estudante, assinalado a 24 de março, foi criado pela Assembleia da República em 1987 e serve de marco para este tipo de ações que promovem a defesa de direitos estudantis.
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