- A Ordem dos Nutricionistas afirma que os valores pagos pelo Estado não permitem oferecer refeições equilibradas nas escolas, com exemplos como croquetes e rissóis em vez de bife ou peixe.
- Contas públicas mostram contratos de cantinas a 2,20 euros, 2,75 euros ou 3,07 euros por almoço, com muitas propostas consideradas insuficientes para garantir qualidade; empresas dizem que os preços são baixos demais.
- Relatos vindos de autarquias apontam divergência entre o menu anunciado e o que chega ao prato, além de uso abusivo de alimentos ultraprocessados.
- As consequências incluem menos alunos a utilizar a cantina quando não gostam do prato, com algumas crianças a levar marmita ou a comer em cafés e supermercados próximos.
- A bastonária pede revisão urgente dos valores e investimento coerente na alimentação escolar, destacando que a solução regional pode criar desigualdades; o Ministério da Educação ainda não respondeu.
A Ordem dos Nutricionistas alerta para a baixa qualidade das refeições servidas nas cantinas públicas e exige um reforço de verbas. Alegam que, com os valores atuais pagos pelo Estado, não é possível oferecer refeições equilibradas. Relatos de cozinhas e cartas de encargos sustentam a reclamação.
Liliana Sousa, bastonária da Ordem, afirma que menus simples, croquetes e rissóis aparecem em vez de carne ou peixe, com porções pequenas. A queixa baseia-se em experiências de nutricionistas que trabalham com autarquias.
A situação ganha contornos com a evidência de que muitas cantinas recorrem a empresas para o fornecimento de refeições. As autarquias procuram propostas por custos que rondam 2,20 a 3,07 euros por almoço, valores que, segundo a bastonária, inviabilizam a qualidade pretendida.
Valores por almoço e impactos operacionais
Algumas câmaras pagam 2,20 euros por refeição, como a Murtosa, enquanto Viseu paga 2,75 euros e Ílhavo 3,05 euros. Em muitos casos, os contratos obrigam as empresas a gerir compras, pessoal e logística dentro desses montantes.
A Eurest contabiliza cerca de 75 mil almoços diários em mais de 770 refeitórios, assegurados por 1700 trabalhadores. A empresa defende a necessidade de atualizar os valores para refletir custos atuais.
Impacto nas escolas e nas escolhas dos alunos
Relatos de diretores de escolas indicam que, quando o prato não agrada, alguns alunos trocam a cantina por cafés ou supermercados. Em Vila Nova de Gaia, por exemplo, há menos adesão a pratos de peixe no agrupamento D. Pedro I.
A bastonária reforça que a solução regional não resolve desigualdades entre crianças de áreas diferentes. Pede uma revisão urgente dos valores e reconhece iniciativas locais que utilizam orçamento municipal para melhorar a alimentação escolar.
O Ministério da Educação ainda não respondeu a pedidos de esclarecimento sobre o tema e a possibilidade de reforço de verbas. A discussão permanece aberta entre opinião pública, autarquias e o setor.
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