- Em colégios privados com contrato de associação que recebem alunos da rede pública, as senhas de almoço não podem exceder 1,46 euros, obrigando as escolas a encontrar outras receitas para manter a cantina igual para todos.
- O regime misto entre ensino privado e público tornou-se cada vez mais raro, com apenas algumas escolas a manter esse modelo.
- No Colégio de Albergaria, Aveiro, os alunos do privado pagam 3 euros pelo almoço, mas não há diferenças nas refeições nem entre os diferentes grupos.
- No Colégio de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, Leiria, todos partilham o prato único e recebem 1,54 euros por refeição do Estado; alguns pais já propuseram pagar mais, ideia rejeitada pelas religiosas.
- Diretores dizem que o valor de 1,54 euros é insuficiente para qualidade das refeições e que é preciso encontrar formas de receita adicionais, dado o contexto de subida de custos.
Nos colégios que recebem alunos da rede pública em regime misto, as senhas de almoço não podem exceder 1,46 euros, obrigando as escolas a arranjar outras receitas para manter uma cantina igual para todos.
Poucas instituições com contrato de associação ainda mantêm este modelo, e menos ainda combinar ensino privado e público. O coordenador da AEEP, Manuel Bento, descreve um número reduzido de casos, mas reconhece que, quando existem, são significativos.
Um exemplo recente de cobertura mediática envolveu os Salesianos de Manique, em Cascais, onde se registou uma divergência entre a qualidade das refeições para quem paga mensalidades e para quem recebe apoio.
No Colégio de Albergaria, no distrito de Aveiro, a cantina serve refeições idênticas a alunos financiados pelo Estado e aos privados. Por lá, as mensalidades não influem na qualidade do prato servido.
Para os alunos da rede pública, o Estado fornece 1,54 euros por refeição, enquanto as famílias pagam no máximo 1,46 euros. As instituições costumam haver de completar o valor, até um total de 2,99 euros por refeição.
No Colégio de Albergaria, as famílias privadas pagam três euros pela refeição; contudo, não existem opções diferenciadas no serviço de cantina. O objetivo é manter igualdade entre os estudantes.
Em Leiria, no Colégio de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, não se aceitou a sugestão de aumentar o preço para melhorar a qualidade, conforme testemunho de dirigentes dominicanos. As turmas de pré-escolar e 1.º ciclo são privadas, as de 5.º a 9.º ano financiadas pelo Estado, mas todos consomem o mesmo prato.
Elisabete Brás, diretora pedagógica, afirma que o valor comparticipado de 1,54 euros não cobre a qualidade desejada. A escola enfrenta custos com salários e funcionamento, recebendo cerca de 80 mil euros por turma do Ministério da Educação.
Para fazer face às despesas, as escolas recorrem a várias fontes, incluindo mensalidades dos alunos privados, receitas do bar e aluguer de espaços. A gestão nestes contratos é descrita como desafiante.
Um responsável da AEEP sublinha que a meta idealPassa por receber entre quatro a cinco euros por refeição, o que permitiria maior folga financeira, especialmente numa conjuntura de subida de custos.
O Centro de Estudos de Fátima revela uma solução possível: uma ementa com quatro opções, incluindo dieta e vegetariano, viável apenas porque o estabelecimento aproveita espaço da cozinha para servir refeições externas.
Segundo o dirigente, nenhuma escola com contrato de associação consegue manter um preço de três euros por refeição sem comprometer a qualidade. As dificuldades não são exclusivas destas instituições, também se verificam em algumas escolas públicas.
Em conclusão, o panorama atual aponta para um esforço de várias escolas em manter igualdade entre alunos, mesmo com recursos limitados, ante o aumento dos preços e a pressão financeira do setor.
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