- A comissão de instrução do Grupo Vita, encarregue das entrevistas para atribuição de compensações por abusos na Igreja Católica, pediu a uma vítima para “mostrar” o gesto do agressor e questionou se era frequente masturbar-se e ter relações sexuais.
- A vítima considera as perguntas inadequadas e afirma que contrariam o que o Grupo Vita garantiu anteriormente, de não perguntar se doeu nem pedir para mostrar como foi o toque.
- O encontro, realizado em fevereiro de 2025 numa autarquia do interior, durou duas horas e foi conduzido por Rute Agulhas, com a presença de uma advogada, o que deixou o destinatário, identificado como José, em choque.
- Durante a entrevista, foi feito um pedido para clarificar ou explicar expressões usadas pela vítima para descrever os abusos, incluindo o contato com a zona da virilha, o que o entrevistado hoje considera inadequado.
- Rute Agulhas não comentou as acusações; José diz ter sentido desconforto com as perguntas, mesmo tendo assinado o consentimento informado.
Foi revelado que uma vítima de abusos na Igreja Católica foi questionada pela comissão de instrução do Grupo Vita para “mostrar” como ocorreu o gesto do agressor, durante uma entrevista para atribuição de compensação financeira. A sessão aconteceu em fevereiro de 2025 numa autarquia do Interior, conduzida pela psicóloga Rute Agulhas.
O Grupo Vita, criado pela Conferência Episcopal Portuguesa em 2023, afirmou que as entrevistas nunca solicitam que as vítimas descrevam dor física. Em declarações anteriores, Agulhas assegurou que não se pergunta se doeu nem que se mostre como foi o toque, justificando com o objetivo de evitar retrações agressivas.
O encontro com o entrevistado, identificado como José, decorreu durante duas horas, com a presença de uma advogada em representação da congregação associada ao agressor. O entrevistado descreveu o desconforto gerado pela forma da entrevista e pela postura das entrevistadoras, que considerou inadequada.
José, abusado por um padre que também era familiar, afirmou sentir-se em choque com o ambiente da reunião e com o que chamou de interrogatório. O conteúdo abordado incluiu descrições dos abusos, o que o levou a contestar o método utilizado pelo Grupo Vita.
A psicóloga foi questionada sobre as críticas já feitas anteriormente, mas não comentou. Em resposta escrita, Agulhas referiu que tais críticas já foram clarificadas, mantendo o enquadramento do regulamento interno do grupo.
O entrevistado também relatou desconforto com partes específicas da conversa, incluindo perguntas sobre o momento exacto da mão do agressor e detalhes sobre práticas sexuais, o que José descreveu como inadequado para o contexto de reparação.
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