- A policrise global e a manipulação algorítmica elevam a exposição a más notícias e o sofrimento online.
- Conteúdos que evocam raiva, medo ou indignação geram mais envolvimento, levando a maior partilha de notícias negativas.
- O doomscrolling, fluxo constante de informação negativa, aumenta o stress e diminui a capacidade de concentração.
- Recomenda-se reduzir o tempo online, trocar esse tempo por novos passatempos e praticar exercício, meditação ou convívio para reduzir o stress.
- O passo mais importante é tornar-se consciente das forças que disputam a nossa atenção, mantendo uma relação crítica com os media sem desligar-se totalmente deles.
A manipulação algorítmica das emoções nas plataformas digitais é um desafio atual, com impactos na atenção dos utilizadores. A investigação sugere passos práticos para interromper o ciclo de consumo de más notícias e stress. A internet coloca-nos na primeira linha para observar sofrimento mundial, mesmo sem ligação direta aos eventos.
Estudos em psicologia explicam como o aumento de conteúdos negativos reforça a exposição. Plataformas lucrativas, através de algoritmos, priorizam conteúdos que geram indignação, medo ou raiva, elevando o envolvimento. O resultado é uma sobrecarga emocional que afeta a concentração.
A ideia de uma policrise descreve crises interligadas: alterações climáticas, deslocamentos populacionais, precariedade económica e eventos de saúde pública. Essas dinâmicas alimentam o extremismo político e a desinformação, ampliando a sensação de incerteza.
A diferença entre ver notícias e ficar preso a elas aparece nos mecanismos cerebrais. O cérebro reage mais a estímulos ameaçadores, o que leva à leitura de relatos negativos mesmo quando há conteúdo positivo disponível. Esse enviesamento facilita a captura de atenção.
O fenómeno do *doomscrolling* agrava-se com uma linha de informação contínua. A carga perceptiva, associada ao stress, reduz a capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo e prejudica o desempenho diário.
Para recuperar a atenção, sugerem-se medidas práticas. Reduzir o tempo online, evitar sessões longas antes de dormir e promover a qualidade do sono. Substituir o tempo de ecrã por passatempos também ajuda a quebrar o ciclo.
Outra sugestão envolve reduzir o stress com atividade física, meditação ou convívio social. Estabelecer hábitos saudáveis pode favorecer o bem-estar e a resistência a conteúdos negativos.
Por fim, a autorreflexão sobre as forças que disputam a nossa atenção é considerada essencial. Embora não seja necessário desligar-se de forma radical, é importante reconhecer as influências algorítmicas e preparar-se para responder de forma mais crítica.
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