- A Cáritas Diocesana de Lisboa propõe criar uma rede de lojas sociais para reforçar a resposta em situações de calamidade, integrada nas comemorações dos 50 anos da instituição.
- O encontro reuniu cerca de 30 instituições na loja social Dona Ajuda, instalada no antigo Mercado do Rato, com o objetivo de partilhar experiências e identificar desafios.
- A ideia é articular projetos que, até agora autónomos, para tornar o trabalho mais eficaz e chegar a mais pessoas em situações de crise.
- Foram apresentados exemplos de lojas sociais em funcionamento, como Dona Ajuda, RE-Coopera e a loja de Turquel, que utilizam doações, venda a baixo custo e atividades comunitárias.
- A Cáritas de Lisboa vai avançar com a criação da rede, para permitir uma mobilização mais rápida de recursos e incentivar o surgimento de novos espaços solidários na diocese.
A Cáritas Diocesana de Lisboa propõe a criação de uma rede de lojas sociais para reforçar a resposta em situações de calamidade. A ideia foi debatida num encontro promovido pela instituição, integra as comemorações dos 50 anos da Cáritas em Lisboa e reuniu cerca de 30 instituições na loja Dona Ajuda, no Mercado do Rato. O objetivo é articular projetos que funcionam de forma autónoma até agora.
Segundo o presidente da Cáritas de Lisboa, Luís Fragoso, a rede visa tornar o trabalho mais eficaz e chegar a mais pessoas, potenciando a resposta rápida em emergências. A articulação é vista como essencial para mobilizar rapidamente recursos e bens essenciais, sobretudo após eventos climáticos recentes que exigiram resposta rápida.
Maria Cortez, representante da Cáritas, explica que as lojas sociais operam a partir de doações para disponibilizar bens não alimentares a custos baixos ou nulos, num espaço inclusivo para beneficiários, doadores e voluntários. O encontro mostrou modelos de funcionamento e experiências de terreno, com foco na eficiência e no impacto social.
Exemplos e perspetivas
A Dona Ajuda, anfitriã do encontro, funciona sobretudo com doações privadas e apoio da Câmara Municipal de Lisboa. Além da venda de artigos usados, promove atividades comunitárias e disponibiliza um plafond mensal de 40€ para aquisição de bens pelos beneficiários.
O projeto RE-Coopera, do Centro Comunitário de Carcavelos, nasceu da necessidade de gerir grandes volumes de donativos. Criado em 2004, inicialmente vendia roupas em feiras mensais para apoiar o centro. Em 2012 recebeu apoio da Câmara Municipal de Cascais e, no ano seguinte, mudou-se para uma loja no Centro Comercial Riviera, com funcionamento diário e apoio de voluntários.
Atualmente, a loja opera nas Galerias do Junqueiro e num mercado montado numa tenda de eventos criada na pandemia. Semanalmente chegam cerca de cinco toneladas de materiais e já foram desviadas para reutilização cerca de 46 toneladas de bens.
A Cáritas Paroquial de Turquel apresentou a loja da região de Alcobaça, criada em 2014. O centro paroquial passou a vender bens para angariar fundos, impulsionando o projeto com plataformas online. A responsável Paula Félix Santos reportou que ajuda já mais de mil pessoas ao longo dos anos e apoia mensalmente mais de uma centena.
Pedro Folque, da Dona Ajuda, sublinhou a importância da organização do espaço e da gestão cuidadosa dos recursos. Entre as práticas destacadas estão a reutilização de materiais, recuperação de peças e a procura de doações junto de empresas antes de adquirir bens.
Próximos passos
A diretora executiva da Cáritas de Lisboa, Carmo Diniz, encerrou o encontro ao enfatizar a necessidade de continuar a desenvolver o trabalho em rede. Apesar de existirem lojas sociais em várias paróquias, a articulação entre elas ainda não está formalizada. A Cáritas Diocesana de Lisboa pretende avançar com a criação da rede, integrando as lojas atuais e incentivando o surgimento de novos espaços solidários na diocese.
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