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Muro planeado para esconder a Cidade do Cabo gera debate público

Muro de nove quilómetros entre o aeroporto e o centro da Cidade do Cabo pretende reduzir ataques a turistas, mas é visto como estratégia de esconder desigualdades urbanas

Cidade do Cabo é a segunda maior da África do Sul, logo a seguir a Joanesburgo
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  • A Cidade do Cabo planeia construir um muro de nove quilómetros entre o aeroporto e o centro urbano, para reduzir ataques e roubos contra turistas.
  • A ideia tem gerado controvérsia, com críticas que o muro pode esconder a pobreza e reforçar divisões entre zonas ricas e pobres.
  • O projeto, denominado N2 Edge, tem um custo de seis milhões de euros e foi anunciado em dezembro, depois de um caso de esfaqueamento perto do aeroporto.
  • O presidente da Câmara, Geordin Hill-Lewis, afirmou que muitas pessoas utilizam aquela via diariamente e sentem-se inseguras.
  • Dados oficiais indicam que, entre outubro e dezembro de 2025, a área registou o maior número de roubos na África do Sul e um aumento de 29% nos homicídios em relação ao trimestre anterior.

O município da Cidade do Cabo deu início à construção de um muro de nove quilómetros entre o aeroporto local e o centro urbano. A infraestrutura visa prevenir ataques e roubos dirigidos principalmente a turistas, segundo informações oficiais.

A obra, batizada N2 Edge, tem orçamento de cerca de 6 milhões de euros e foi anunciada em dezembro, após a morte de uma mulher esfaqueada junto a uma rotunda da autoestrada após deixar o aeroporto. A administração municipal justifica a medida pela insegurança na via.

A população reage de forma crítica, com temores de que o muro esconda desigualdades históricas. O ex-ativista antiapartheid Allan Boesak acusa que a estrutura poderá ocultar uma cidade dividida entre áreas ricas e bairros pobres.

Segundo a AFP, o perímetro já era conhecido pela elevada incidência de crimes, incluindo roubos e sequestros, com alguns casos a terminar tragicamente. Autoridades locais sublinham que o objetivo é reduzir a criminalidade na passagem para o centro.

Dados oficiais indicam que, entre outubro e dezembro de 2025, a zona registou o maior número de roubos no país, com a taxa de homicídios a subir 29% face ao trimestre anterior. Geordin Hill-Lewis justifica a decisão pela sensação de insegurança de muitos utilizadores da via.

Reação pública

  • A população questiona a necessidade de uma barreira que restringe a visibilidade de bairros menos favorecidos.
  • Críticos defendem que a solução não resolve as causas da criminalidade nem o contexto socioeconómico local.

As autoridades garantem que o muro não altera a circulação de pessoas, apenas condiciona a vista de determinadas zonas, e reafirmam a opção pela melhoria da segurança na via de acesso ao aeroporto.

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