- Martin Scorsese, de 83 anos, expressou apoio à empresa alemã Black Forest Labs e ao programa de IA FLUX, descrevendo a ferramenta como libertadora na pré-produção.
- O cineasta afirmou que a IA ajuda a comunicar, visualizar e partilhar o storyboard com a equipa criativa, acelerando o processo sem sacrificar qualidade ou rigor.
- A posição gerou reacções negativas na indústria, com críticos a dizer que é uma traição aos artistas de storyboard e a colocar artistas em risco de substituição.
- Outros nomes da indústria defenderam a IA como ferramenta de apoio, incluindo James Cameron e Steven Spielberg, enquanto Guillermo del Toro mantém uma posição crítica.
- O próximo projeto de Scorsese, What Happens At Night, com Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence e Mads Mikkelsen, deverá manter-se sem IA, admitindo que ainda não há detalhes sobre a parceria com a Black Forest Labs.
Martin Scorsese está no centro do debate sobre a IA na indústria cinematográfica. O realizador de Taxi Driver e The Wolf of Wall Street tornou-se conselheiro da Black Forest Labs, parceria que envolve o programa Flux de geração de imagens. O apoio foi apresentado através de um vídeo divulgado pela empresa alemã, com declarações do cineasta sobre as potencialidades da ferramenta na pré‑produção. A notícia gerou reacções variadas no meio, entre defesa da inovação e críticas à possível desvalorização de artistas.
Scorsese é visto por muitos como defensor da evolução tecnológica no cinema. O projeto anterior do cineasta com tecnologias digitais incluiu o uso de 3D em Hugo e de rejuvenescimento digital em The Irishman. Durante uma conferência em Berlim, o realizador afirmou que o cinema está a transformar-se e que a tecnologia pode ampliar a criatividade, desde que haja equilíbrio com a prática artística. O comentário enfatizou que a tecnologia não deve assustar quem cria.
Este episódio ocorre num momento em que a IA divide opiniões no setor. Hollywood tem rejeitado, em grande parte, conteúdos gerados por IA de baixa qualidade, e a parceria com a Black Forest Labs suscitou críticas de alguns setores criativos. Responsáveis pela indústria apontaram que artistas podem ver os seus trabalhos usados para treinar modelos, gerando preocupações sobre empregos e direitos de autor.
Reação virulenta
Alguns comentários antigos de Scorsese sobre filmes da Marvel foram usados para questionar o apoio à IA, levando a acusações de hipocrisia e de traição artística por parte de alguns críticos. Registaram‑se mensagens de profissionais da arte e do cinema, com avaliações díspares sobre o impacto da IA na pré‑produção. Procura‑se entender se a ferramenta poderá substituir trabalhos de storyboard ou apenas acelerar a visualização de ideias.
Outras vozes defenderam o cineasta, afirmando que a IA pode facilitar a comunicação entre equipa criativa e permitir visualizar ideias com maior rapidez. Houve quem dissesse que a IA não substitui o cinema, apenas melhora a forma de planear cenas na pré‑produção.
Em boa companhia?
Scorsese junta‑se a personalidades do cinema que defendem a IA como recurso de apoio criativo. Guillermo del Toro não partilha dessa visão, enquanto James Cameron integra conselhos de empresas de IA e defende benefícios em termos de eficiência. Outros criadores também já recorreram a IA para projetos artísticos ou documentais, incluindo o uso em séries e filmes.
Festival e produtores têm trabalhado com IA para conteúdos gerados ou assistidos em eventos. Em Cannes surgiu um filme de ação gerado por IA, e no Tribeca está programada a estreia de um docudrama gerado por IA sobre a resistência iraniana. Os produtores destacam a necessidade de enquadrar a IA no contexto criativo, mantendo a mão humana no processo.
Implicações do apoio
A posição de Scorsese suscita debates sobre se a IA poderá facilitar receitas ou apenas acelerar o esgotamento de funções criativas. A indústria continua a observar impactos na pré‑produção, especialmente no que diz respeito a direitos de autor, remuneração de artistas e qualidade do conteúdo. Elementos recentes reforçam a tensão entre inovação tecnológica e proteção do trabalho criativo.
O próximo projeto de Scorsese, What Happens At Night, com Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence e Mads Mikkelsen, promete manter a hotel’s neutralidade quanto à IA. A produção deverá seguir sem dependência de tecnologias geradas por IA, pelo menos numa fase inicial. Enquanto isso, o debate persiste entre quem vê a IA como ferramenta útil e quem teme a sua influência na criação humana. A SAG‑AFTRA reforçou que a criatividade deve permanecer centrada no ser humano.
Entre na conversa da comunidade