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Loznitsa mantém cinema que denuncia a velha Rússia

Loznitsa regressa com Dois procuradores, denúncia contundente do regime soviético de setenta e oito, em estreia nas salas portuguesas

Alexander Kuznetsov é a estrela de "Dois procuradores"
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  • O filme Dois procuradores, do cineasta ucraniano Sergei Loznitsa, estreia esta quinta-feira nas salas de cinema portuguesas.
  • A obra, passada em 1937 na União Soviética, relata a história de um jovem procurador idealista que descobre uma carta que escapou à censura.
  • Baseia-se no livro de Georgi Demidov, que esteve num Gulag de Estaline; após a morte, a filha recuperou os manuscritos para publicação.
  • Loznitsa gravou cenas da prisão numa instituição real em Riga, Letónia, integrada na União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial.
  • O filme integrou a competição de Cannes e sucede trabalhos anteriores do realizador, incluindo Donbass (2018) e o curta em Portugal O milagre de santo António.

O cinema de Sergei Loznitsa mantém o foco na crítica histórica. O novo drama, Dois procuradores, transporta o público para a URSS de 1937, revelando a denúncia de um regime. Estreia esta quinta-feira nas salas portuguesas.

O filme acompanha um jovem procurador idealista que descobre, numa carta censurada, um testemunho de dissidente. A narrativa mostra o embate entre convicções morais e o peso de uma máquina estatal opressiva.

Dois procuradores é inspirado no livro de Georgi Demidov, cuja obra esteve ligada a um período de repressão no Gulag. Demidov viu os manuscritos confiscados pelo KGB e só foi possível publicar após a abertura política de Gorbatchov.

Loznitsa já testou a sua versatilidade com cinema de ficção e doc, incluindo o curta em Portugal O milagre de santo António. O realizador apresenta aqui uma dramatização de traço sombrio e documental.

As cenas da prisão foram gravadas num espaço real, numa antiga prisão em Riga, então integrada na URSS. O set reforça o tom de crueldade burocrática que permeia a história.

Na competição de Cannes, o filme já gerou interesse pela forma fria e contida com que retrata a repressão estatal. O lançamento em Portugal sucede à apresentação internacional do projeto.

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