- Em África do Sul, algumas filmagens já usam energia solar em vez de geradores a gasóleo, incluindo a segunda temporada de One Piece na Cidade do Cabo, com acampamento base alimentado por energia solar; sistema de 400 kilowatthoras de baterias e 150 kilowatts de energia solar, suficiente para alimentar 40 casas médias na Europa, e que poupou 93 toneladas de CO₂.
- A Netflix afirmou que, desde 2023, todas as produções com guião que gere diretamente incorporam energia móvel limpa, usando o caso de One Piece como exemplo de inovação.
- A ITV também recorre a energia limpa na África do Sul para a temporada de I’m a Celebrity, Get Me Out of Here, reduzindo drasticamente o consumo de combustível e mirando não usar combustível sempre que possível, com o aumento do preço do petróleo a funcionar como incentivo adicional.
- Desafios persistem, como logística em locais remotos, peso das baterias e custo superior para produções de baixo orçamento; ainda assim, a indústria tem investido em soluções solares para reduzir a dependência de gasóleo.
- A indústria cinematográfica sul-africana contribui com entre 3,5 mil milhões e 5,4 mil milhões de rands para a economia e sustenta até 12 mil empregos, com painéis solares muitas vezes fabricados na China, o que mostra o potencial e os obstáculos da transição energética no sector.
O setor cinematográfico da Africa do Sul está a abandonar, aos poucos, a dependência de geradores a gasóleo, recorrendo a energia solar para sustentar grandes gravações. A Netflix adoptou este caminho na segunda temporada de One Piece, filmada na Cidade do Cabo, marcando a sua maior produção africana até à data. O conjunto de energia solar alimentou o acampamento base, reduzindo a eletricidade vinda da rede.
A Cinergy Mobile Power forneceu a solução de energia limpa, integrada com baterias de 400 kWh e 150 kW de energia solar. O sistema alimentou o set nos Estúdios de Cinema da Cidade do Cabo, com o objetivo de demonstrar que as produções não precisam de gasóleo para garantir fiabilidade à escala e podem funcionar de forma silenciosa.
Segundo a Cinergy, o sistema evitou cerca de 93 toneladas de CO2 durante a produção de One Piece, equivalente a 30 voos entre Londres e Cidade do Cabo. A Netflix confirmou que, desde 2023, todas as produções com guião que gerem diretamente incorporam alguma forma de energia móvel limpa, incluindo projetos na África do Sul.
Energia limpa em outros grandes projetos
A ITV também utilizou energia solar na África do Sul para a atual temporada de I’m a Celebrity, Get Me Out of Here, com a Cinergy a fornecer soluções de baterias e painéis solares para reduzir o consumo de Gasóleo nos estúdios próximos do Parque Nacional Kruger. O responsável pela sustentabilidade da produção afirmou que quase não houve uso de combustível.
A ambição é não depender de combustível fóssil sempre que possível, embora situações logísticas em locais remotos permaneçam um desafio. Baterias de nove toneladas, por exemplo, exigem gruas especializadas para serem transportadas e utilizadas durante semanas, segundo a Cinergy.
Barreiras e custos para o green
A indústria reconhece obstáculos económicos e operacionais. Enquanto grandes produções conseguem financiar tecnologia limpa, filmes de orçamento reduzido enfrentam barreiras de custo. Transportes e disponibilidade de soluções móveis limpas também limitam a adoção generalizada.
Marisa Sonemann-Turner, da Film Afrika, assinala que produções de maior envergadura conseguem investir, mas as de menor orçamento lutam com o custo. O uso de energia limpa ainda depende de importação de tecnologia, com painéis solares adquiridos na China.
Apesar dos desafios, a indústria cinematográfica sul-africana vê potencial para manter a competitividade global através da energia renovável. Zizipho Zikhali, da GreenSet, recorda que a transição é relativamente nova para o sector e tem exigido ajustes significativos.
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