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UE ameaça suspender financiamento da Bienal de Veneza por participação russa

UE ameaça cortar subsídios à Fondazione Biennale se incluir Rússia na Bienal de Veneza, alinhando-se às sanções e à condenação da guerra na Ucrânia

Pavilhão fechado da Rússia em 2022. Arquivo
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  • A União Europeia avisou que pode suspender subvenções à Fondazione Biennale por ter convidado a Rússia a participar na Bienal de Veneza deste ano, que decorre entre 9 de maio e 22 de novembro em Itália.
  • Autoridades da UE, incluindo a vice-presidente executiva Henna Virkkunen e o comissário Glenn Micallef, condenaram a decisão da direção da Bienal e ressaltaram que a cultura não deve servir de propaganda.
  • A Comissão Europeia afirma que a escolha é incompatível com a resposta coletiva da UE à agressão da Rússia e exige que Estados e instituições cumpram as sanções da UE para evitar apoiar quem apoiou a ofensiva.
  • A Fundação Biennale recebe financiamento da UE para produção de filmes, mercados cinematográficos e formação, incluindo um projeto do programa MEDIA com orçamento de dois milhões de euros para três anos; a Comissão não descartou outras medidas, como manter a suspensão.
  • A Itália destacou que a decisão foi tomada pela direção da Bienal “de forma independente” e manifestou preocupação com a proteção do património cultural da Ucrânia, ao mesmo tempo em que houve protesto de 22 países europeus contra a participação russa.

A União Europeia avisou que pode retirar subvenções à Fondazione Biennale devido à participação da Rússia na Bienal de Veneza deste ano, que decorre em Itália entre 9 de maio e 22 de novembro. A decisão envolve a possível suspensão de fundos da UE à instituição. A proposta surge após a Rússia ter sido convidada a participar no evento.

A vice-presidente executiva da CE para Soberania Tecnológica, Henna Virkuninen, e o Comissário para a Cultura, Glenn Micallef, condenaram a decisão da direção da Bienal. A declaração conjunta sublinha que a cultura deve defender valores democráticos e não servir de propaganda.

A Comissão lembra que a posição da Fondazione Biennale é incompatível com a resposta coletiva da UE à agressão russa contra a Ucrânia. Minúsculas exceções ou plataformas de apoio foram, por isso, interrogadas pela UE.

Caso a Rússia participe, podem ser adotadas outras medidas, incluindo a suspensão total da subvenção atual da UE à fondazione. O gabinete de imprensa da CE reiterou que a diversidade e a liberdade de expressão não são respeitadas pela Rússia atual.

A Fondazione Biennale recebe apoio da UE para cinema, mercados e formação, com um projeto de dois milhões de euros no programa MEDIA da Europa Criativa. A notícia foi acompanhada por reações críticas no governo italiano.

Reação institucional

O Ministério da Cultura italiano afirmou que a decisão foi tomada pela fundação de forma independente, apesar da oposição do governo. Itália destaca a proteção do património artístico da Ucrânia, afetado pelos bombardeamentos.

A Polónia, através do seu Ministério da Cultura e do Património Nacional, opôs-se firmemente à participação russa. Segundo o órgão, um evento internacional prestigiado não pode servir de plataforma para reforçar o poder de um país que escolheu a guerra.

Contexto na Bienal e contexto internacional

A Rússia apresentou um projeto musical na Bienal, defendendo que a cultura prevalece sobre a política. O projeto envolve figuras associadas a empresas estatais russas, que já estão sancionadas pela UE.

O ministro ucraniano dos Negócios Estrangeiros agradeceu o apoio da UE. Kiev exorta a comunidade internacional a impedir que a Bienal seja usada para justificar crimes contra a Ucrânia e o seu património cultural.

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