- A Comissão Europeia ameaça retirar financiamento à Bienal de Veneza se o pavilhão russo regressar à 61.ª edição, considerando uma violação das sanções impostas após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
- A comissária para a Cultura e o comissário para a Tecnologia disseram que a decisão de acolher Moscovo não é compatível com a resposta coletiva da UE à agressão russa.
- Do lado da Bienal, espera-se cerca de 40 artistas no pavilhão russo, com a exposição The Tree is Rooted in the Sky, na vigésima primeira edição desde maio a novembro.
- O presidente da Bienal defende a abertura a países em conflito, mas o governo italiano — liderado por Giorgia Meloni — discorda, considerando a posição da Fundação totalmente autónoma.
- Ministros da Cultura de vinte e dois países europeus pediram à organização que reconside a participação russa, lembrando as sanções europeias e internacionais e o papel da Bienal no respeito pelo direito internacional.
Perante o regresso da Rússia à Bienal de Veneza, a União Europeia ameaça retirar fundos à fundação que promove o evento caso Moscovo volte a integrar o pavilhão. Comissários europeus consideram a deslocação uma violação das sanções impostas à Rússia desde a invasão da Ucrânia em 2022.
Em comunicado conjunto, a Comissária para a Tecnologia, Henna Virkkunen, e o Comissário para a Cultura, Glenn Micallef, afirmaram que os Estados-membros devem cumprir as sanções da UE. A organização é acusada de abrir portas a quem apoiou a agressão russa.
A posição também indica a possível suspensão ou rescisão de uma subvenção em curso à fundação que gere a Bienal, uma das maiores plataformas de arte contemporânea do mundo. A intenção é evitar proporcionar uma plataforma a indivíduos ligados ao Kremlin.
Reação europeia
O presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, defendeu a reabertura ao dizer que a instituição deve acolher países em conflito, rejeitando qualquer forma de censura da cultura. A posição contraria o governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, que sustenta as sanções da UE.
O ministro italiano da Cultura, Alessandro Giulli, afirmou que a decisão da Bienal é autonomamente tomada e discorda da medida. Em Itália já ocorreram cancelamentos de eventos culturais com ligações a figuras pró-Putin.
Contexto internacional
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, e a vice-primeira-ministra Tetyana Berezhna apelaram para que a comunidade internacional sirva de vigilância face a tentativas russas de usar a arte como propaganda. A Bienal decorre entre 9 de maio e 22 de novembro, com o pavilhão russo previsto para apresentar a exposição The Tree is Rooted in the Sky.
Ministros da Cultura de 22 países europeus já pediram à Bienal que reconsidere a participação russa, sublinhando que a Rússia permanecepassível de sanções pela violação do direito internacional e da soberania da Ucrânia. A posição visa manter a integridade da resposta europeia ao conflito.
Entre na conversa da comunidade