- O documentário Mr. Nobody contra Putin segue Pavel “Pasha” Talankin, um professor em Karabach, que usa uma câmara para expor a propaganda governamental nas escolas e a presença de mercenários do Grupo Wagner em demonstrações de arma, indicando um mergulho da sociedade no medo.
- O material, que está na corrida aos Óscares, permite que David Borenstein observe e co-dirija com Talankin, cuja relação ambígua entre amor pela profissão e rejeição visceral fortalece o filme.
- O Mago do Kremlin, de Olivier Assayas, retrata a Rússia desde os anos de Ieltsin até ao reinado de Putin, com Jude Law no papel do presidente; é descrito como mais didáctico e cerebral.
- A Noiva, de Maggie Gyllenhaal, e Blue Moon, de Richard Linklater, apresentam dissidentes que constroem mundos à parte, mantendo-se como entidades separadas no cinema contemporâneo.
- Blue Moon centra-se em Lorenz Hart, coautor de canções como Blue Moon e My Funny Valentine, mostrando as dificuldades de um artista em adaptar-se ao tempo, com Ethan Hawke a interpretar Hart; o filme é teatra l e verbal.
No cinema, dissidentes ganham rosto e corpo. Três filmes colocam em foco figuras que não pertencem aos mundos em que vivem, da Rússia de Putin ao Broadway e aos monstros de Mary Shelley. O fio condutor é a resistência silenciosa.
Mr. Nobody contra Putin acompanha Pavel “Pasha” Talankin, professor em Karabach, Rússia, que usa uma câmara para expor a propagação de propaganda nas escolas. O filme mistura observação, denúncia e realidade vivida pelos jovens.
David Borenstein, dos EUA, encontra o material captado por Pasha e, junto dele, assume o papel de co-realizador. O filme revela como o medo molda a sociedade, com mercenários do Grupo Wagner e crianças envolvidas em sessões de armamento.
A obra tem sido descrita como um retrato contundente da dissidência. Talankin enfrentou exílio, e o filme levanta questões sobre liberdade de expressão e educação sob regimes autoritários. A produção ainda não tem distribuição anunciada.
Outros retratos de dissidência
A Noiva, de Maggie Gyllenhaal, e Blue Moon, de Richard Linklater, ampliam o tema com enfoques distintos. A Noiva explora um universo malsão, mantendo o foco na visão de Gyllenhaal sobre a figura feminina como força disruptiva.
Blue Moon transporta-nos a Lorenz Hart, compositor de canções como Blue Moon e My Funny Valentine. Ethan Hawke interpreta Hart numa noite de estreia de Oklahoma!, em que o artista enfrenta o desencontro com o tempo.
Joker: Loucura a Dois é citado como referência de comparação, mas estes filmes seguem trajetórias diferentes. A Noiva surge como a obra mais contundente entre as analisadas, segundo críticas.
O cinema é apresentado como lente para entender o mundo atual, segundo críticas que destacam a gestão de conteúdos políticos, a construção de identidades dissidentes e a relação entre arte e poder.
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