- Ana Paula Arnaut apresentou, no ano passado, o texto que justificou a candidatura de António Lobo Antunes ao Prémio Nobel da Literatura.
- O Nobel determinará um prémio anual aos que contribuírem de forma significativa para a Humanidade; a categoria de Literatura privilegia obras com visão crítica da religião, realeza, casamento e da ordem social.
- A obra de Lobo Antunes é apresentada como transcendendo a realidade portuguesa, explorando temas como país, diáspora, relação homem-mulher, existência de Deus, identidade, guerra em África e exploração colonial.
- A autora sustenta que o escritor, com uso inovador da língua e uma leitura do tempo “por detrás, às avessas”, transforma a arte do romance, desafiando cânones e levando o leitor a questionar linguagem e valores.
- Cada romance é visto como capítulo de um grande livro que lê Portugal e o mundo, com a autora a defender o merecimento de Lobo Antunes ao Nobel da Literatura no ano de 2025.
António Lobo Antunes é apontado como possível laureado com o Prémio Nobel da Literatura, numa candidatura apresentada no ano passado por Ana Paula Arnaut, autora de várias obras sobre o escritor português. A defesa baseia-se no testamento de Alfred Nobel, de 1895, que preconiza que o prémio seja atribuído a quem tenha contribuído para a Humanidade.
Segundo a proposta, a obra de Lobo Antunes distingue-se pela postura crítica em relação a religião, à realeza, ao casamento e à ordem social. O conjunto da produção é apresentado como uma leitura que ultrapassa a realidade nacional, explorando traumas históricos e ideológicos de Portugal.
A literatura do autor é descrita como uma experiência intensa, que aborda temas como país, diáspora, a relação com a fé, a afectividade, a identidade e a guerra em África. As obras são apresentadas como fonte de reflexão sobre a condição humana.
A proposta também sublinha a forma de escrever de Antunes, marcada por inovações linguísticas, pelo modo de lidar com o tempo narrativo e pela experimentação formal. A defesa aponta para uma escrita que rompe com cânones tradicionais da ficção.
Numa leitura de referência, os romances são vistos como um único grande livro de leitura descentrada, que convida o leitor a questionar bases históricas, culturais e psicológicas. A narrativa é descrita como descentrada e desassossegar a relação com a linguagem.
A autora que sustenta a candidatura afirma que cada romance funciona como um capítulo de uma obra maior que lê Portugal e o mundo. A proposta é apresentada no contexto de uma reflexão sobre a universalidade da ficção de Antunes.
A leitura é apresentada como uma oportunidade para reconhecer a escrita de Antunes pela sua capacidade de inquietar e provocar questionamentos profundos sobre a condição humana e a sociedade. O tema da humanidade é destacado como eixo central da obra.
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