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Ex-comandante da Proteção Civil nega conhecimento de negócios do fogo

Ex-comandante da Proteção Civil nega negócios do fogo e sustenta que a criação de um comando nacional autónomo dos bombeiros deve ser bem pensada

André Fernandes assegurou que sua demissão do cargo, em Março de 2025, "nada teve a ver com qualquer discordância com o Governo, do ponto de vista da gestão"
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  • O ex-comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, André Fernandes, afirmou desconhecer a existência de “negócios do fogo” e disse não ter presenciado factos que os confirmem durante a sua carreira.
  • Em audição na Comissão de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais, repetiu várias vezes que “desconhece” e “nunca presenciou” esses factos.
  • Fernandes não deu pistas sobre eventuais relações entre aquisição de meios de prevenção e combate a incêndios e ganhos económicos, dizendo não saber e não ter percebido tais situações.
  • Sobre a criação de um comando nacional autónomo de bombeiros, defendeu que é uma alteração que deve ser bem pensada e estruturada, sendo necessário estudar como enquadrar as corporações existentes legalmente.
  • Reconheceu melhorias na gestão de meios aéreos, mas questionou por que motivo alguns meios contratados não estiveram no terreno em 2025, acrescentando que há “calcanhares de Aquiles” a resolver na ordenação da floresta e ações preventivas.

O ex-comandante da Proteção Civil, André Fernandes, afirmou à Comissão de Inquérito aos Incêndios Rurais que desconhece a existência de “negócios do fogo” e garantiu não ter presenciado factos que comprovem esse fenómeno ao longo da sua carreira na ANEPC. Foi uma resposta repetida ao longo de quase duas horas de oitiva.

Durante o debate, Fernandes foi questionado sobre possíveis ligações entre incêndios, exploração de madeira, especulação imobiliária e comércio de equipamentos. O ex-líder recusou ter percebido tais relações, dizendo não saber se houve ou não atos ligados a interesses privados.

O deputado questionou ainda se haveria relações entre a aquisição de meios de prevenção e combate aos incêndios e ganhos económicos, bem como a instalação de parques eólicos ou solares em áreas afetadas pelos fogos. O entrevistado disse não ter conhecimento de situações desse tipo.

André Fernandes também comentou o período anterior à atual estrutura da proteção civil e à sua demissão, em março de 2025, assegurando que a saída não esteve relacionada com discordâncias com o Governo, do ponto de vista da gestão.

Comando nacional autopromovido

Sobre a ideia de criar um comando nacional autónomo para os bombeiros, Fernandes afirmou que a alteração deve ser bem pensada e estruturada. Observou que a ANEPC já conta com 90% de quadros vindos dos bombeiros e defendeu explorar melhor as capacidades existentes.

Questionado sobre a forma de enquadrar legalmente a participação de 412 corporações associadas em um único comando, o ex-comandante indicou que o tema merece estudo detalhado para evitar lacunas legais.

Gestão de meios e perspetivas de atuação

O antigo responsável reconheceu melhorias na gestão de meios aéreos usados no combate aos incêndios, entendendo que a capacidade é adequada ao território. Ainda assim, admitiu lacunas de presença no terreno em 2025, com várias aeronaves contratadas não utilizadas.

Assinalou que, em geral, os meios aéreos, embora importantes, não substituem o combate direto no terreno. Reforçou a necessidade de reforçar o ordenamento da floresta e as ações preventivas para aumentar a resiliência contra fogos.

A oitiva destacou também que melhorar a coordenação entre estruturas e manter a proteção civil no centro do combate aos incêndios rurais continua a ser uma prioridade, no âmbito de um sistema integrado de operações.

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