- Um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária mostra que dois em cada três condutores envolvidos em acidentes com vítimas em 2024 tinham taxa de álcool no sangue crime (≥1,20 g/L), com 65,4% nesse grupo em 2024.
- Entre 2019 e 2024 houve um aumento significativo na alcoolemia grave, que subiu 72,3%; em 2024, 58,1% dos infratores detetados já estavam nesse escalão.
- O relatório indica que são sobretudo homens a conduzir sob efeito do álcool e que os veículos intervenientes são principalmente ligeiros; a madrugada e a noite apresentam maior risco.
- Em 2024, um terço dos condutores mortos em acidentes com autópsias apresentava TAS acima do permitido (0,5 g/L) e 72% excediam o limiar crime (≥1,20 g/L).
- O estudo alerta que Portugal não atinge a meta de reduzir em cinquenta por cento mortes e feridos graves até 2030 e critica a ausência de aprovação formal da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, desde 2022.
Dois em cada três condutores envolvidos em acidentes com vítimas em 2024 apresentavam TAS igual ou superior a 1,20 g/L, indicador de crime, segundo um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). O relatório alerta para um problema estrutural e grave em Portugal.
O estudo analisa dados de 2019 a 2024 e revela que 65,4% dos infratores detetados em 2024 estavam no escalão crime. Ao longo do período, a curva de alcoolemia grave cresceu 72,3%, com 58,1% dos casos de 2024 já nesse patamar.
Perfil do flagelo
A ANSR aponta que, no essencial, os condutores com álcool são homens, e os veículos intervenientes são sobretudo ligeiros. Também existem casos envolvendo moto e velocípedes. A madrugada e a noite mostram maior peso de casos em escalão crime.
Distribuição etária e gravidade
Os dados indicam presença expressiva de várias faixas etárias, não se restringindo a jovens. As autópsias de 2024 reforçam a gravidade, com resultados particularmente expressivos em determinados grupos. Um terço dos mortos tinha TAS acima do limite legal de 0,5 g/L, e 72% excediam 1,20 g/L.
Impacto na fiscalização e nas metas nacionais
A fiscalização aumentou entre 2019 e 2024, mas a parcela de cruciais ultrapassagens alcoólicas cresceu. A análise desloca o foco para o dano verificado, evidenciando que o álcool pesa nas situações mais graves e letais.
Desempenho e perspetivas nacionais
O relatório afirma que Portugal não está na trajetória de reduzir em 50% mortos e feridos graves até 2030, comparação com 2019. O desvio é relevante face a Espanha e à UE, exigindo esforço adicional para retomar o Rumo desejado.
Estratégia Nacional e decisões por tomar
A Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, apresentada em 2021, ainda não foi aprovada formalmente. Em fevereiro, o presidente da ANSR anunciou uma consulta pública sobre uma versão com 40 medidas, incluindo álcool e fiscalização.
Dados provisórios de 2024
Relativos a 2024, a ANSR indica 43.635 acidentes, com 145 mortos, 633 feridos graves e 10.753 feridos ligeiros. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve mais 5.000 acidentes, mais 42 mortos e mais 8 feridos graves, mas menos 421 feridos ligeiros.
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