- O 17º Encontro de Segurança da E-REDES realizou‑se em Tomar, com foco na redução de acidentes graves e mortais e na promoção de uma cultura de segurança partilhada.
- A empresa mantém a meta de zero acidentes graves e mortais, apesar de dois acidentes registados no início do ano, um deles com fatalidade, vincando que a segurança não pode ficar em segundo plano.
- O investimento previsto para 2026 permanece em 470 milhões de euros, ainda que o backlog na reposição da rede tenha atrasado parte do planeado para fevereiro.
- Foi apresentada a campanha de segurança “Está tudo, tudo, tudo bem?”, destinada a fazer as equipas parar e verificar planeamento, condições de trabalho e estado dos equipamentos antes de atuar.
- Destaques incluem o programa Tutores de Segurança, maior participação de parceiros nas operações, uso de LMRA (análise de risco de último minuto) e a prática Stop Work Authority, com reforço de formação e procedimentos visuais simplificados.
A E-REDES levou a segurança a palco em Tomar, no 17º Encontro de Segurança, com o objetivo de reduzir acidentes graves e mortais e reforçar uma cultura de prevenção. O encontro reuniu colaboradores e prestadores de serviço para uma atuação conjunta, urgente e constante na área de segurança, sem que a recuperação de tempestades comprometa a proteção das pessoas.
A empresa revelou que o ano foi marcado por tempestades e por um plano de investimento de 470 milhões de euros em 2026. O discurso central foi claro: a segurança não pode ser sacrificada pelos resultados, mantendo-se o objetivo inegociável de zero acidentes graves e mortalidades.
Encontro em Tomar e balanços
O presidente do Conselho de Administração, José Ferrari Careto, enquadrou o encontro na sequência de interrupções ocorridas entre janeiro e fevereiro, quando as equipas trabalharam sem pausas para repor a rede, afetando cerca de 1,01 milhões de clientes sem electricidade. Dois acidentes, incluindo uma fatalidade, foram admitidos pela liderança, com a promessa de manter o objetivo de segurança inalterado.
Careto ligou a segurança à agenda económica, reconhecendo que o reforço de meios atrasou parte do investimento programado para fevereiro, mas mantendo a meta de 470 milhões de euros em 2026. O responsável reiterou a ambição de não comprometer a segurança, apesar do backlog e do esforço adicional, e lembrou que a atuação envolve uma rede extensa e exposta a riscos de queda de altura e risco eléctrico.
Reação local e contexto externo
Do lado municipal, Tiago Carrão, presidente da Câmara de Tomar, elogiou as equipas de rede pela resposta às intempéries, destacando a recuperação rápida após a queda de árvores na Mata Nacional dos Sete Montes. O autarca reforçou a cooperação entre entidades locais, privadas e de cidadania na construção de uma resiliência energética, de comunicações e de proteção civil.
Ana Paula Marques, da EDP, participou em videoconferência, afirmando que a segurança é prioridade do grupo e destacando uma redução de cerca de 50% nos acidentes em 2025 face a 2024. A executiva apontou três acidentes mortais no grupo de distribuição, em Portugal, Espanha e Brasil, sublinhando a responsabilidade partilhada. O programa PlayitSafe evolui para a versão 2.0, com maior foco em parceiros e eliminação de fatalidades, num ecossistema de segurança mais integrado.
Campanha e cultura de segurança
A campanha apresentada pela direção de comunicação, com o lema Está tudo, tudo, tudo bem?, visa obrigar a paragens antes de qualquer intervenção. O objetivo é verificar planeamento, condições de trabalho, estado de equipamentos e preparação da equipa, priorizando a segurança desde o planeamento.
A responsável pela área de Safety, Security and Business Continuity, Fernanda Bonifácio, mostrou o balanço de 2025 e os desafios para 2026, destacando reforço de presença no terreno e maior participação de parceiros nas operações. Foi apresentada uma iniciativa para simplificar procedimentos com base em instruções visuais, reduzindo a dependência de documentação extensa.
Planos com parceiros e tutorias
Bonifácio sublinhou o aumento de colaboração com parceiros em contratos de serviço de maior duração, definindo um plano conjunto de ação para melhorar a formação, o planeamento das vistorias e a implementação de procedimentos práticos. O programa Tutores de Segurança recebe novos colaboradores com acompanhamento de seis meses, assegurando o alinhamento com o ADN de segurança da empresa.
A líder admitiu o impacto emocional do acidente mortal de 9 de fevereiro, durante a recuperação pós-tempestade, reforçando que o planeamento de 2026 mantém-se: mais presença no terreno, mais formação e maior reporte de não conformidades. O objetivo é aprender com cada incidente e elevar o nível de segurança organizacional.
Perspetivas para 2026
Prashant Krishnan reforçou que 2025 consolidou a disciplina operacional e a gestão de risco, sobretudo em risco eléctrico e trabalhos em altura, com menos acidentes e melhor controlo de riscos críticos. Alertou para o perigo de reforços positivos e reiterou três chamadas à ação: não confundir bons resultados com boas decisões, tratar o risco eléctrico e o trabalho em altura como inegociáveis e assumir que a segurança é coletiva, exigindo paragens, questionamento e escalonamento de problemas.
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