Em relatório visto pela Euronews, o Centro Internacional para o Desenvolvimento da Política de Migração (ICMPD) sustenta que o endurecimento dos controles de fronteira na UE não reduziu a mobilidade global. As rotas irregulares apenas sofreram desvio temporário.
Segundo o ICMPD, os acordos com África e as reformas do sistema de asilo não impediram partidas, apenas redirecionaram-nas para rotas alternadas, muitas delas mais longas e arriscadas. A UE apoia financeiramente estes acordos.
O documento aponta que, apesar das reduções de chegadas, persiste o fluxo de migrantes, com mudanças de trajetos que podem emergir a partir de 2026. O relatório frisa a incerteza sobre o impacto a longo prazo das mudanças políticas.
Novos fluxos para a Europa?
Em alguns casos, registou-se diminuição de nacionais de África, Médio Oriente e Ásia Central nas chegadas à UE. Contudo, o impulso recente da mobilidade pode gerar rotas irregulares novas para a Europa.
A análise indica que a instabilidade no Médio Oriente pode influenciar a mobilidade em África, potencialmente levando migrantes a procurar destinos europeus alternativos. O documento não antecipa cenários com certeza.
A rota irregular do Corno de África, via Somália e Djibuti, para o Golfo continua entre as mais usadas. Dados da OIM indicam aumento de 34% entre 2024 e 2025 nas partidas para o Golfo.
Causas profundas
O relatório destaca fatores estruturais por detrás da migração, como conflitos, demografia, emprego, riscos climáticos e cortes na assistência humanitária. Tais elementos mantêm o fluxo migratório, apesar das políticas restritivas.
A Frontex informou que, em 2025, as travessias irregulares nas fronteiras externas da UE diminuíram cerca de 26%. A maior queda ocorreu na rota da África Ocidental, associada a parcerias UE com Marrocos, Senegal e Mauritânia.
A rota do Mediterrâneo Oriental manteve atividade, com o trajeto da Líbia à Creta a registar diminuição menos acentuada, mas still ativo, tendo aumentado em 2025.
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