- A Comissão de Fiscalização do SIS e SIED (CFSIRP) alerta para escassez de recursos humanos e instalações inadequadas, o que restringe a capacidade operacional.
- O não acesso aos metadados de comunicações e Internet limita significativamente a prevenção e deteção de ameaças à segurança nacional; é sugerida uma revisão constitucional para alinhar Portugal aos padrões europeus.
- Dificuldade na retenção de profissionais qualificados, sobretudo em tecnologia e cibersegurança, é um desafio estrutural; defende-se maior autonomia do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP) na gestão de recursos humanos.
- Recrutamento regular é elogiado e há progressos na modernização tecnológica, incluindo a implementação de um novo sistema integrado de informação e comunicação.
- Em 2025, o Serviço de Informações da República Portuguesa Externa (SIED) manteve níveis de produção; o Serviço de Informação da Segurança (SIS) atuou conforme prioridades políticas e legais; o Centro de Informações das Forças Armadas (CISMIL) é alvo de observação quanto à gestão de carreiras.
O Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP) entregou ao parlamento o relatório de 2025. Nele se afirma que as secretas SIS e SIED enfrentam escassez de recursos humanos, instalações limitadas e dificuldades de recrutamento e retenção. O documento aponta ainda que as estruturas sob coordenação do SIRP procuram adaptar-se aos novos requisitos.
O relatório descreve constrangimentos relevantes à capacidade instalada devido às carências de efetivos. Além disso, alerta para o não acesso aos metadados de comunicações e Internet, situação que reduz significativamente a capacidade operacional na prevenção de ameaças como terrorismo, espionagem, crime organizado e cibercrime.
Contexto
O CFSIRP recomenda uma revisão constitucional para alinhar Portugal com padrões europeus de segurança. O foco recai sobre políticas de recursos humanos, avaliação de desempenho e integração de novos oficiais, bem como a necessidade de maior autonomia do SIRP na gestão de talento.
No âmbito internacional, o órgão destaca dificuldades de retenção de profissionais qualificados, principalmente em áreas tecnológicas e de cibersegurança. Fortalecer a autonomia na gestão de recursos humanos é visto como essencial para atrair e manter talentos.
Perspetivas e investimentos
O relatório sublinha a importância de recrutamento regular e campanhas transparentes. Elogia avanços na modernização tecnológica, com implementação de um sistema integrado de informação e comunicação que reforça a segurança e a eficácia.
A discussão também envolve inteligência artificial e investimento em ferramentas de análise de fontes abertas, relevantes num contexto de volatilidade informativa, ameaças híbridas e cibercrime.
Atuação das estruturas específicas
O CFSIRP, que não apenas supervisiona o SIRP, mas também analisa o Centro de Informações das Forças Armadas (CISMIL), aponta que a rotatividade e a gestão de carreiras militares podem representar constrangimentos. Considera-se pertinente criar regimes específicos para estas carreiras.
O SIED, operação no exterior, manteve níveis de produção consistentes em 2025, apesar da carência de recursos. O SIS, que atua no domínio da segurança interna, concluiu o ano alinhado com prioridades políticas e legais, sem constrangimentos no acesso a informações.
Entre na conversa da comunidade