- A HRW alerta que a guerra no Irão agrava a situação de trabalhadores migrantes nos países do Conselho de Cooperação do Golfo, com custos crescentes para eles.
- Os migrantes são os mais vulneráveis aos conflitos, mas executam tarefas essenciais para as economias e serviços da região.
- A HRW exige medidas de emergência pelos Estados do GCC para mitigar perdas de rendimentos e, quando necessário, compensar‑neles, bem como ações estruturais para salários dignos, contratos respeitados e acesso à segurança social.
- A organização aponta deficiências no sistema de kafala e defende medidas que garantam maior liberdade de circulação e condições laborais justas para os migrantes.
- O relatório, baseado em 38 entrevistas com trabalhadores da Índia, Nepal e Bangladesh, destaca pedidos de apoio para regressar ao país de origem, incluindo ajuda para custos de bilhetes e opções de voos acessíveis.
A guerra no Irão, que se expandiu pelo Médio Oriente, agrava a vida dos trabalhadores migrantes nos Estados do Golfo Pérsico. A HRW alerta que estes trabalhadores são os mais vulneráveis ao ambiente de conflito e ao aumento de custos básicos.
Segundo a organização, os migrantes cumprem funções essenciais para as economias e serviços da região, mas enfrentam maiores dificuldades financeiras. A HRW exige medidas de emergência para mitigar perdas de rendimento e, sempre que possível, compensá-las.
A organização sublinha a necessidade de medidas estruturais para garantir salário digno, contratos respeitados e acesso a benefícios de segurança social. O sistema kafala é apontado como um fator que restringe liberdades e mobilidade laboral.
Michael Page, vice-diretor da HRW para o Médio Oriente e Norte de África, refere que o kafala facilita o controlo dos empregadores sobre os trabalhadores recrutados no estrangeiro, limitando mudanças de emprego e circulação.
A HRW apela ainda a apoio financeiro para quem deseje regressar aos seus países de origem. A organização sugere cooperação entre governos dos países de acolhimento, laboratórios de voos acessíveis e companhias aéreas para viabilizar bilhetes.
O relatório baseia-se em 38 entrevistas com migrantes da Índia, Nepal e Bangladesh a residir no Golfo. Os entrevistados atuam como motoristas, estafetas, seguranças, cozinheiros e pessoal de limpeza.
A avaliação ocorre num contexto de resposta à ofensiva liderada pelos Estados Unidos e Israel, iniciada a 28 de fevereiro, que se estende à região e afeta as economias locais. O conflito vem também a partir de ações de represália.
Entre as consequências observadas está o bloqueio do estreito de Ormuz, que influencia o fluxo de petróleo e gás no comércio global. A passagem pelo canal é crítica para o abastecimento mundial.
Situação dos migrantes e medidas recomendadas
A HRW solicita ações de emergência para mitigar perdas salariais e assegurar apoio financeiro. Além disso, recomenda-se a implementação de salários dignos, contratos estáveis e proteção social para trabalhadores migrantes no Golfo Pérsico.
Desempenho e impacto económico
O relatório enfatiza que migrantes desempenham funções essenciais à operação contínua de infraestruturas, comércio e serviços. A organização ressalva que melhorias estruturais podem reduzir vulnerabilidades a choques económicos.
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