- A GNR alertou para o peso psicológico profundo nos militares que trabalham na área da violência doméstica, devido à exposição contínua a traumas.
- O comandante Pedro Oliveira destacou que a gestão constante de situações de alto risco gera fadiga compassiva e stress crónico, podendo levar ao esgotamento; acrescentar uma camada investigatória pode afastar profissionais.
- A notícia foi partilhada numa audição conjunta na Subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação, com a PSP e a Equipa de Análise Retrospetiva de Homicídio em Violência Doméstica.
- A GNR assegura reforçar a resposta especializada nas primeiras 72 horas após a apresentação da queixa, mantendo a ligação com o Ministério Público e investindo em formação e atendimento às vítimas.
- Em 2025, a área de atuação registou dez homicídios em violência doméstica, onze vítimas (duas crianças); a GNR tem 349 salas de atendimento e 178 militares nas equipas especializadas 24/7; foram realizadas 929 ações de formação para cerca de 37 mil pessoas; e houve 14.071 denúncias recebidas, com 1.401 detenções.
A GNR alertou esta terça-feira para o peso psicológico profundo enfrentado por militares que trabalham na área da violência doméstica. A exposição contínua a traumas é identificada como fator de risco para o esgotamento profissional.
O comandante do comando operacional, Pedro Oliveira, explicou que a atuação na área implica fadiga compassiva e stress crónico, pela empatia excessiva em cenários de violência e sofrimento das vítimas.
Foi destacada a necessidade de evitar camadas adicionais de complexidade investigativa, para não afastar os profissionais. A verba da direção foi pedida para reforçar o apoio.
A audição na Subcomissão para a Igualdade decorreu com a presença de representantes da PSP e da Equipa de Análise Retrospetiva de Homicídio em Violência Doméstica, para analisar iniciativas em curso.
A GNR garantiu reforçar a resposta nas primeiras 72 horas após a apresentação de queixa, mantendo articulação com o Ministério Público, e investindo em formação e atendimento às vítimas.
O comandante sublinhou ainda que o principal desafio preventivo está em situações de baixo a médio risco, onde pode haver falsa sensação de segurança, exigindo reavaliação permanente.
Pedro Oliveira avançou que, em 2025, registaram-se 10 homicídios em contexto de violência doméstica na área de atuação da GNR, com 11 vítimas, incluindo duas crianças.
Propôs um procedimento de dupla avaliação de risco e o reforço da retirada de armas de fogo no momento da denúncia, como medida cautelar, independentemente do risco.
Foi referido que as dificuldades administrativas afetam a denúncia e que a GNR diversifica meios de prova, reduzindo dependência de declarações da vítima.
Acompanhamento legislativo foi mencionado, com cautela para evitar duplicações com instrumentos legais já previstos, mantendo foco na aplicabilidade prática.
A GNR dispõe de 349 salas de atendimento a vítimas e de equipas especializadas, com funcionamento 24/7, abrangendo 178 militares em todo o país.
Em 2025, cerca de 426 militares realizaram 929 ações de formação, envolvendo cerca de 37 mil pessoas, com 327 ações sobre violência doméstica e 602 sobre violência no namoro.
No ano anterior, a GNR recebeu 14.071 denúncias, menos que em 2024, e efetuou 1.401 detenções por violência doméstica.
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