- Polícias registaram 449 participações por crimes de ódio em 2025, um aumento de 6,7% face a 2024.
- O Relatório Anual de Segurança Interna aponta o uso da internet e de redes sociais para incitar violência, ameaçar, injuriar ou difamar, bem como o recrutamento online de jovens para radicalização.
- Jovens, alguns inimputáveis por idade, são atraídos por grupos que promovem doutrinação, radicalização e teorias da conspiração.
- Lisboa (30%), Porto (15%), Setúbal (9%) e Faro (8%) concentram a maioria destas ocorrências.
- O documento alerta para a necessidade de estratégias preventivas devido à polarização e ao impacto na vida social e nas instituições democráticas.
Em 2025, as autoridades registaram 449 participações por crimes de ódio, um aumento de 6,7% face a 2024. O relatório anual de Segurança Interna (RASI) aponta para a rádio de recrutamento online de jovens para radicalização.
O documento sublinha o uso da internet e das redes sociais para partilhar conteúdos que incitam à violência, ameaçam ou difamam pessoas por raça, religião, orientação sexual ou origem. A maioria dos suspeitos são jovens, alguns com idade que impede responsabilidade penal.
Foram registadas três participações por crimes de tortura ou tratamentos desumanos e 27 por outros crimes contra a identidade cultural. Havendo investigações de crimes promovidos pela internet, com várias denúncias que deram origem a inquéritos.
O RASI sustenta que o recrutamento se faz com promessas de pertença a grupos organizados, usando técnicas de doutrinação para moldar o pensamento e afastar valores sociais comuns. A distorção da realidade é frequente e favorece teorias conspiratórias.
Conforme o relatório, os jovens vulneráveis cedem a uma retórica antissistema que pode levar à adesão a movimentos radicais. O documento também alerta para o aumento da desinformação e da polarização no país.
Lisboa representa a maior incidência, com cerca de 30% dos casos, seguida pelo Porto com 15%, Setúbal com 9% e Faro com 8%. O conjunto de dados mostra uma maior atividade em grandes áreas urbanas.
Segundo o RASI, o quadro de polarização política, racial e religiosa tem contribuído para uma crispação social que se reflete em confrontos públicos e protestos não autorizados. Em alguns casos, há violência verbal ou física dirigida a minorias.
O relatório assinala ainda a dificuldade de prova da motivação discriminatória, o que explica o reduzido número de detenções face ao volume de ocorrências. O documento foi divulgado pelo Conselho Superior de Segurança Interna e entregue ao parlamento.
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