O Pentágono está a ponderar desviar parte da ajuda militar prevista para a Ucrânia para o Médio Oriente, à medida que a guerra no Irão persiste sem sinal de abrandamento. A informação foi avançada por veículos de comunicação norte‑americanos, citando fontes não identificadas, na quinta-feira.
Segundo o Washington Post, o ajuste pode envolver mísseis intercetores de defesa aérea encomendados através do programa Prioritised Ukraine Requirements List (PURL). O PURL permite que outros membros da NATO financiem armas dos EUA para a Ucrânia.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, não comentou os planos do Pentágono durante a conferência de imprensa de quinta-feira. Garantiu apenas que o equipamento militar essencial continua a fluir para a Ucrânia, com apoio dos EUA.
Rutte destacou que, desde o ano passado, o PURL tem fornecido equipamento vital, incluindo 70% das baterias usadas nos sistemas Patriot. A NATO sublinhou a relevância do programa para a defesa ucraniana.
Responsáveis ucranianos manifestam preocupações quanto à prioridade de Washington ao Médio Oriente, com receios de que recursos se movam para aquela região. O tema chega num momento de turbulência regional e de debates sobre apoio ocidental.
Contexto político e financeiro
Em Bruxelas, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a guerra do Irão não deve desviar a atenção do apoio à Ucrânia, após a recente cimeira da UE. O Pentágono notificou o Congresso de que pode desviar cerca de 750 milhões de dólares do PURL para reabastecer inventários dos EUA, em vez de ampliar a ajuda à Ucrânia.
O incidente ocorre num momento em que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, pediu aos europeus capacidade industrial para produzir sistemas de defesa aérea e mísseis, incluindo proteção contra drones, mísseis de cruzeiro e ameaças balísticas. Zelenskyy reforçou a importância do programa PURL.
Zelenskyy também disse que não se pode depender de indústrias externas e que é necessário fortalecer a produção europeia. Em Helsínquia, reforçou ainda a valorização da assistência recebida através do PURL.
Do lado ucraniano, Yurii Ihnat afirmou que a Rússia tem atacado infraestruturas energéticas, aumentando o uso de mísseis balísticos. Segundo o chefe de comunicações da Força Aérea ucraniana, apenas os sistemas Patriot podem interceptar esse tipo de ameaça nos últimos meses.
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