O coordenador de contraterrorismo da UE, Bartjan Wegter, alertou para um crescimento da radicalização entre jovens europeus. Em entrevista à Euronews, referiu que menores a partir dos 12 anos já são alvo de processos de recrutamento online. A ameaça tem aumentado nos últimos anos.
Wegter explicou que a radicalização ocorre principalmente online, entre adolescentes que passam várias horas nas redes sociais. O desafio para as autoridades é identificar sinais precoces, já que muitos jovens não possuem registo criminal na vida real.
Para além do jihadismo, a UE enfrenta uma equipa de novas ideologias violentas que se disseminam na Internet. O coordenador sublinhou a necessidade de partilhar dados e de manter diálogo com plataformas para impedir a exposição de jovens a conteúdos radicalizantes.
Ações e dados da Europol
A Europol publicou o Relatório de Tendências do Terrorismo na UE 2025, que aponta um aumento do envolvimento de menores em atividades terroristas. Em 2024, 449 pessoas foram detidas por crimes relacionados com terrorismo na UE, 133 com idades entre 12 e 20 anos.
O grupo de maior incidência entre os suspeitos é o jihadista, seguido pelo extremismo de direita e pelo extremismo violento. Wegter reiterou que o jihadismo continua a representar a maior ameaça à segurança europeia.
Mudanças na forma de atuação do EI
Segundo o coordenador, apesar da perda de território, o Estado Islâmico ajustou as suas táticas. O grupo atua de forma descentralizada, com o recrutamento a ocorrer dentro da UE e em frentes dispersas, em vez de ataques coordenados transfronteiriços.
Wegter indicou ainda que o EI tem recrutado sobretudo adolescentes, explorando vulnerabilidades online. A entidade não funciona mais como estado territorial, mas como rede de afiliados que gere operações globais.
Extremismo violento niilista
Além do jihadismo, surgem comunidades online que promovem violência ideológica. O responsável descreveu uma tendência de extremismo violento niilista, em que diferentes correntes ideológicas se confundem para fomentar ações violentas.
Estas comunidades, muitas vezes aceleracionistas, tentam perturbar a sociedade sem obedecer a um único credo. O fenómeno é considerado por Wegter como uma evolução do terrorismo, com características e vulnerabilidades comuns.
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