- Vídeo falso mostra um político ucraniano a ameaçar o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e a sua família; o conteúdo surge com textos sobrepostos a imagens da floresta.
- A peça circula em páginas de desinformação de origem russa, com a ideia de influenciar as eleições parlamentares húngaras de abril de 2026.
- O vídeo refere-se a Hrihoriy Omelchenko, ex-integrante do Serviço de Segurança Ucraniano, que profere ameaças a Orbán e às suas cinco filhas, sem ligação atual ao parlamento.
- Especialista em ciberdefesa aponta que as imagens são falsas, uma vez que utiliza uma voz gerada por gerador de voz e sincronização labial imperfeita; ele explica que deepfake completo teria mais falhas.
- Relatórios indicam que a Rússia pode recorrer a redes de compra de votos, trolls e ativistas locais para influenciar as eleições, embora a embaixada russa tenha negado as acusações.
O lançamento de um vídeo falso envolvendo um político ucraniano a ameaçar Viktor Orbán circula nas redes sociais de origem russa. O material mostra o primeiro-ministro húngaro e a família, com um texto sobreposto em imagens de uma floresta.
Orbán explicou, numa publicação no Facebook, que ligou para três filhos e que lhe foi dito ter sido alvo de ameaças reveladas por ucranianos. O vídeo vem na esteira de reportagens de meios pró-governo sobre o tema.
Verificação técnica das imagens
Ferenc Frész, especialista em ciberdefesa, descreveu que as imagens são falsas e que o orador funciona com uma voz gerada por tecnologia deepfake, sobreposta a um vídeo existente. A sincronização labial apresenta falhas visíveis.
Frész também indicou que um deepfake completo esconderia mais detalhes, mas a sincronização de expressões faciais é suficiente para enganar alguns espectadores. O material original surge no YouTube Pryami TV.
O conteúdo verdadeiro inclui um vídeo de Omelchenko, ex-político ucraniano, cuja idade atual é 75 anos, sem ligação recente ao parlamento. A peça manipulada foi partilhada como se fosse de uma ameaça real a Orbán.
Contexto e reacções
O material foi partilhado por páginas associadas a NAFO Hungria, com cerca de 35 mil seguidores. A campanha de desinformação é associada a tentativas russas de influenciar as eleições húngaras de 2026.
Agências de segurança europeias já tinham apontado para campanhas de desinformação antes de eleições húngaras, com alegadas ligações a redes de compra de votos e trolls. A embaixada russa em Budapeste negou as acusações.
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