- A Polícia Judiciária e a ministra da Justiça alertaram para o perigo da radicalização e dos conteúdos de ódio online, numa conferência que marca o lançamento da campanha “Ódio online mata offline”.
- O director nacional da PJ, Luís Neves, afirmou que a radicalização envolve fatores sociais, psicológicos, tecnológicos e culturais e que os jovens são particularmente vulneráveis em Portugal.
- Foram identificados fatores como a procura de identidade, o papel dos algoritmos das redes sociais, o anonimato, a falta de literacia digital e a influência de figuras públicas.
- Foi ainda referido o aumento do crime as a service, com estruturas criminosas a disponibilizarem ferramentas digitais ilícitas, incluindo inteligência artificial, para expandir a radicalização e o recrutamento de jovens.
- A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, defendeu a prevenção através de literacia digital, pensamento crítico e capacitação de professores e técnicos, tornando o Plano de Ação público.
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) e a ministra da Justiça alertaram, nesta terça-feira, para o perigo da radicalização e dos conteúdos de ódio online. O alerta abriu a campanha educativa Ódio online mata offline, que teve lugar na sede em Lisboa durante a conferência sobre prevenção da radicalização de crianças e jovens.
Luís Neves explicou que a radicalização é um processo que pode transformar pessoas jovens em veículos de extremismo violento. O responsável destacou a vulnerabilidade dos jovens e mencionou casos identificados em Portugal, apontando fatores sociais, psicológicos, tecnológicos e culturais que alimentam o fenómeno.
Foram enunciados os diferentes tipos de radicalização, com base em diferenças religiosas, de género, de orientação sexual e de ideias políticas. O diretor citou a influência de redes sociais, anonimato, educação digital deficiente e o recrutamento por figuras públicas como componentes que criam condições para a violência.
Desdobramentos da campanha e riscos tecnológicos
Antes da apresentação do vídeo da campanha, que retrata imagens de investigações da PJ, o responsável sublinhou a subida de crimes associados a serviços digitais ilícitos. Estruturas criminosas utilizam ferramentas digitais, incluindo inteligência artificial, para expandir a radicalização e o recrutamento de jovens.
Neves defendeu ainda a divulgação pública do Plano de Ação de Prevenção da Radicalização e dos Extremismos Violentos, para que a sociedade tenha conhecimento do documento e possa participar no combate. O objetivo é envolver a comunidade nesta prioridade institucional.
A ministra Rita de Cássia Alarcão Júdice reforçou que a prevenção não se esgota em proibições. A responsável salientou a importância da literacia digital, do pensamento crítico e da educação para os direitos humanos, bem como da capacitação de docentes para reconhecer sinais de risco.
Segundo a Margarida, o planeamento inclui respostas integradas disponíveis para escolas e comunidades. A abordagem visa fortalecer a deteção precoce de comportamentos de risco e orientar ações de intervenção junto de jovens e famílias.
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